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O crescente uso de dispositivos vestíveis inteligentes como smartwatches, óculos e anéis tem levantado preocupações sérias sobre a privacidade dos utilizadores. Celebridades e figuras públicas populares já os adotaram, e em Portugal, estima-se que mais de um milhão de pessoas usem smartwatches até ao final de 2025. Contudo, apesar da conveniência, estes dispositivos podem estar a recolher mais dados do que o necessário.

Segundo uma análise da Surfshark, empresa de cibersegurança, as aplicações complementares dos wearables são responsáveis por recolher grandes quantidades de informação pessoal. Em média, apps de smartwatches recolhem 11 tipos de dados, enquanto as de óculos inteligentes recolhem 9 e as de anéis 6. Estes dados podem incluir localização, histórico de navegação, informações financeiras e muito mais - muitas vezes partilhados com terceiros para fins publicitários.

Na categoria de óculos, destaca-se a Meta AI, que recolhe até 24 tipos de dados para publicidade, e na de anéis, a Ultrahuman também revela práticas de partilha. Entre os smartwatches, marcas como CMF Watch e CASIO WATCHES admitem utilizar dados para rastreamento. Esta recolha massiva levanta preocupações sobre monitorização constante, especialmente quando combinada com a presença simultânea de vários dispositivos.

A Surfshark alerta que, além da recolha em si, a falta de transparência e o tamanho das políticas de privacidade contribuem para a chamada "fadiga da privacidade". Muitos utilizadores não conseguem compreender ou sequer leem os termos, tornando-se vulneráveis a usos indevidos. Há casos em que estas políticas ultrapassam as 12 mil palavras, dificultando o acesso à informação relevante.

O estudo, que analisou 24 aplicações de dispositivos populares, expõe a necessidade urgente de maior literacia digital e regulamentação mais clara. O conselho dos especialistas é simples: verificar sempre as permissões das apps, conhecer os dados que são recolhidos e entender para que são usados. Afinal, a conveniência dos wearables não deve ter como custo a perda de controlo sobre a própria privacidade.

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