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Os aeroportos europeus voltaram a ser alvo de um grande ciberataque, confirmando como a aviação se tornou um setor cada vez mais apetecível para os cibercriminosos. O impacto vai muito além de falhas de TI: voos são paralisados, passageiros ficam retidos e os efeitos propagam-se rapidamente além-fronteiras. A raiz do problema está na dependência da aviação de sistemas digitais partilhados, sobretudo de fornecedores externos usados por várias companhias aéreas e aeroportos. Quando um único elo da cadeia é comprometido, a disrupção alastra de imediato em larga escala.

O momento dos ataques também não é deixado ao acaso. Os cibercriminosos privilegiam fins de semana e feriados, quando as equipas de TI e segurança são reduzidas e a capacidade de resposta é mais lenta. Este fator maximiza o impacto e prolonga o caos até ao início da semana seguinte, afetando centenas de milhares de passageiros em pleno pico de tráfego aéreo.

Dados recentes da Check Point Research demonstram o agravamento da ameaça. O setor de Transportes e Logística mantém-se entre os dez mais atacados do mundo, com uma média de 1.143 ataques por organização todas as semanas, mais 5% face ao ano anterior. Só em agosto de 2025, esse número subiu para 1.258. O ransomware permanece como uma das ameaças mais disruptivas, com mais de 1.600 incidentes reportados no segundo trimestre de 2025, dos quais 4% afetaram diretamente este setor. No mesmo período, a atividade de ransomware registou um crescimento de 126% face ao ano anterior, estabelecendo novos recordes.

Segundo Rui Duro, Country Manager da Check Point Software em Portugal, os atacantes estão a explorar deliberadamente o ponto mais fraco da aviação: a sua cadeia de fornecimento interligada. Basta comprometer um fornecedor para paralisar dezenas de aeroportos e companhias aéreas em simultâneo. Além disso, os fins de semana e feriados funcionam como pontos cegos, criando oportunidades perfeitas para prolongar a disrupção até ao período de maior tráfego.

A menos que o setor da aviação trate a cibersegurança com a mesma seriedade com que aplica as verificações de segurança física antes da descolagem, continuará a enfrentar disrupções em larga escala. A resiliência digital tornou-se tão crítica para a indústria como a segurança dos passageiros, sendo agora indispensável para garantir operações contínuas e confiáveis.

Entre as medidas recomendadas para reforçar a proteção destacam-se a correção e atualização rigorosa de software, a monitorização constante de atividades suspeitas, a implementação de sistemas de backup devidamente testados e a melhoria da partilha de informação entre fronteiras, permitindo que governos, companhias aéreas e fornecedores tecnológicos detetem e contenham ataques de forma mais célere.

A aviação encontra-se assim no epicentro de uma tempestade digital que não dá sinais de abrandar. Tal como nenhum avião levanta voo sem verificações de segurança minuciosas, também a cibersegurança precisa de ser encarada como um requisito essencial para manter o setor operacional e os passageiros em segurança.

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