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A Check Point Research (CPR) divulgou o seu Relatório Global de Inteligência de Ameaças de setembro de 2025, revelando que as organizações em todo o mundo enfrentaram, em média, 1.900 ciberataques semanais. Embora o número global tenha diminuído 4% face a agosto, continua 1% acima do registado no mesmo período de 2024, mantendo as ameaças em níveis historicamente elevados.

Em contraciclo com a tendência global, Portugal registou um recorde de 2.061 ataques semanais, um aumento de 5% face ao mês anterior.

O relatório destaca também o impacto crescente da Inteligência Artificial Generativa (GenAI) na cibersegurança. Segundo a CPR, uma em cada 54 interações com ferramentas GenAI empresariais apresenta elevado risco de fuga de dados, afetando 91% das organizações que as utilizam. Cerca de 15% dessas interações envolveram informação sensível, incluindo dados de clientes e código proprietário, evidenciando a necessidade urgente de políticas rigorosas de governação de IA e proteção de dados.

O setor da educação manteve-se como o mais visado, com uma média de 4.175 ataques semanais por organização, resultado da digitalização acelerada e da escassez de investimento em defesas cibernéticas. Já o setor das telecomunicações registou 2.703 ataques semanais (+6% face a 2024), consolidando-se como alvo preferencial devido à sua importância crítica e ao potencial de acesso a infraestruturas secundárias. As instituições governamentais sofreram 2.512 ataques semanais, uma ligeira descida de 6%.

Em termos regionais, África liderou o ranking global com 2.902 ataques semanais por organização, seguida da América Latina (2.826) e da Ásia-Pacífico (2.668). A Europa registou 1.577 ataques semanais (–1%), enquanto a América do Norte foi a única região com um aumento expressivo (+17%), impulsionado sobretudo por incidentes de ransomware, que continuam a ser uma das ameaças mais destrutivas e financeiramente danosas.

Durante setembro, foram registados 562 incidentes de ransomware, um aumento de 46% face ao ano anterior. Os Estados Unidos concentraram 52% dos casos, seguidos pela Coreia do Sul e pelo Reino Unido. O setor da Construção e Engenharia foi o mais afetado, representando 11,4% das vítimas, enquanto os grupos Qilin, Play e Akira se destacaram entre os mais ativos, explorando novas linguagens e táticas avançadas para maximizar impacto e evasão.

De acordo com Omer Dembinsky, Data Research Manager da Check Point Research, a redução ligeira no volume total de ataques não representa uma diminuição do risco. Pelo contrário, o aumento da sofisticação e da integração da IA nas ameaças exige uma resposta preventiva e baseada em inteligência em tempo real. A CPR reforça que apenas uma abordagem de “prevenção em primeiro lugar”, suportada por IA e visibilidade total da rede, cloud e endpoints, poderá manter as organizações à frente dos cibercriminosos.

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