Era uma vez… Esta seria uma boa forma de começar esta crónica, até porque é assim que começam as grandes estórias de sonho e fantasia. A que vou contar agora, é bem real, mas ao mesmo tempo envolve um sonho. O sonho de conhecer um dos jogadores que mais admiro, e nomeado duas vezes pela FIFA como o melhor jogador do mundo, nascido do lado de lá do atlântico e que aguça o desejo de todos aqueles que um dia sonham virem a tornar-se jogadores de futebol.

É verdade, provavelmente já adivinharam que estou a falar do Ronaldinho Gaúcho.

Foi numa cinzenta quinta-feira que cheguei ao aeroporto por volta das sete da manhã, para embarcar numa viagem que me levaria até Barcelona, ao evento da Lenovo. A Lenovo é uma empresa de tecnologia resultante da aquisição pelo Grupo Lenovo da Divisão de Computadores Pessoais da IBM.
Após um almoço em que estiveram presentes algumas das mais importantes personalidades ligadas a este fabricante foi tempo de nos deslocarmos para Camp Nou, casa do prestigiado Barcelona Futebol Clube. E já agora sabem porque se chama Camp Nou? Bem, este nome em Catalão significa Campo Novo. Foi inaugurado a 24 de Setembro de 1957, depois do clube ter abandonado o antigo estádio por ser demasiado pequeno.

Quando cheguei a este local de eleição (os adeptos do Real Madrid que me perdoem) um dos primeiros pontos de interesse que visitámos foi o balneário da equipa visitante. Por razões de segurança não é possível visitar-se o balneário do próprio FCB, mas segundo nos foi explicado eles são iguais com a diferença da piscina no balneário dos visitantes dar lugar a um jacuzzi no balneário da equipa residente.

Depois e passando por uma pequena, mas extremamente bonita capela, chegámos ao local por onde entram os jogadores e pisámos o relvado, desta vez sem chuteiras e com as bancadas vazias. Mas mesmo assim consegui ter a percepção do que seria entrar num estádio, com os espectadores de olhos postos em nós, e à espera que fizéssemos a partida da nossa vida.

Depois disso a visita prosseguiu pela sala de imprensa e passámos ainda pelo local onde são feitas as flash interviews, ou entrevistas rápidas, após cada jogo. Obviamente, que imaginei a quantidade de jogadores famosos que já tinham por ali passado, encostados aquele painel onde nós estávamos tão próximos.

 A visita prosseguiu pelo piso, geralmente destinado à direcção, e onde existem vários aspectos interessantes a destacar, como um painel onde estão inscritos os nomes de todos os presidentes do Barcelona e também a placa que confere cinco estrelas ao estádio, atribuída pela UEFA. Já agora querem saber a razão da atribuição desta placa? É que em apenas cinco minutos é possível evacuar os 120 mil espectadores, tornado assim o estádio muito seguro.
Depois disso foi altura de visitarmos as salas onde ficam os relatores desportivos e outros jornalistas de rádio e TV. Embora as cabines de rádio estejam protegidas e sejam fechadas, as de televisão não têm qualquer vidro, de modo a que se sinta o mais possível o ambiente do estádio.

Com tudo isto, estava já perto a hora de estar cara a cara com o Ronaldinho, e talvez por isso o tempo custasse mais a passar.

Após uma breve apresentação que decorreu dentro do estádio, estava tudo a postos para o receber. O meu olhar curioso juntava-se ao dos demais jornalistas estrangeiros (23 no total) que se aglomeravam perto da porta para o ver chegar. Já ai vem? Perguntava um. Parece que sim, esta quase! Retorquia outro. Mas afinal, falso alarme. Ao fim deste compasso de espera, lá entrou de rompante pela sala e com um acenar de mão, cumprimentou todos os presentes. Mas não se ficou por aqui, já que fez questão de cumprimentar cada um com um aperto de mão. E foi aqui que para mim fez toda a diferença, não só por isso, mas pelo facto de quando ia apertar a mão, ao invés do ‘Hi!’ dito pela grande maioria dos presentes, o ter cumprimentado com um ‘Oi Ronaldinho! Tudo bom?’ ao que ele imediatamente respondeu com um sorriso, e disse ‘Finalmente alguém que fala português!’.

Depois foi a altura em que Ronaldinho, para além de autografar a sua bela camisola do Barcelona e oferece-la (item que aliás tenho religiosamente guardado), autografou ainda algumas fotografias. E aí falou um pouco mais comigo, perguntando-me se era mesmo de Portugal e de que cidade era. As palavras não me saiam muito bem, mas lá fui murmurando as respostas. Quer por aquele cumprimento especial por eu ser português, quer por ter dado alguns dedos de conversa com o melhor jogador do mundo, sentia olhares fixos em mim por parte de alguns jornalistas, que talvez por não perceberem bem a nossa língua, estariam a pensar, mas porque raio é que ele conversou com ele e recebeu mais atenção? Sem querer ser mauzinho, deu-me uma dose elevada de confiança e até por momentos passou pela minha cabeça, sou especial como nosso ‘Special One’! Mas mais especial é este jogador, que com a fortuna que tem e sendo o melhor, não se coloca num pedestal e mais do que isso. De volta ao hotel voltámo-nos a cruzar com este jogador que com um sorriso na cara não deixava de dar um autógrafo aqueles que de boca aberta olhavam para ele quando passava.

Esta experiência foi curta, mas ter conhecido o Ronaldinho e trocado algumas palavras com ele, fez-me pensar que ser português é muito bom, e às vezes, acreditem, faz toda a diferença!
 
 Autor : Bruno Fonseca (Jornalista)
 
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