Se por ventura possui uma conta no iTunes, vai verificar que a Apple adicionou automaticamente à sua biblioteca o álbum “Songs of Innocence”, sem que lhe tenha pedido qualquer autorização.
Esta situação está, por si só, a ser criticada nas redes sociais, e de forma mais veemente por a Apple se achar “dona e senhora” do que os 500 milhões de utilizadores do iTunes gostam de ouvir. Muitos questionam o porquê da Apple não ter criado uma página na loja do iTunes dando a hipótese aos utilizadores do serviço poderem, ou não, descarregar gratuitamente o álbum.
Até à data, a Apple não esclareceu porque decidiu agir desta forma. Apenas se sabe que a relação entre a marca e a banda irlandesa é bastante próxima e que foi pago uma quantia (desconhecida) pela Apple para que pudesse usar os direitos de divulgação do trabalho dos U2 em primeira mão e que o tema que a banda tocou no evento da marca na terça-feira, The Miracle (Of Joey Ramone), vai ser usado para promover produtos da marca, como o iPhone 6.
Na apresentação da Apple, Bono Vox já tinha admitido, em tom de brincadeira, que a banda tinha sido paga. “Não acredito na música gratuita. A música é um sacramento”.
Perante isto, rapidamente começaram a surgir algumas teorias, por exemplo, o Business Insider avança que “quanto mais pessoas a Apple conseguir levar para o sistema iTunes, mais números de cartões de crédito consegue recolher. E quanto mais números de cartão de crédito tem, mais atraente se torna para os utilizadores o novo sistema de pagamento móvel da Apple, o Apple Pay”, escreve o jornal. O Apple Play torna os novos aparelhos da marca norte-americana autênticas carteiras móveis, fruto da tecnologia NFC que já está integrada em inúmeras marcas e modelos de smartphones.
O Bloomberg calcula que o Apple Pay vai permitir à empresa entrar num mercado avaliado em 40 mil milhões de dólares. A agência, que cita uma fonte que pediu o anonimato, indica que com base em acordos alcançados com bancos individualmente, a Apple irá beneficiar de uma comissão sobre cada transação. “Enquanto isso dá à empresa de tecnologia uma parte dos mais de 40 mil milhões de dólares que os bancos geram anualmente a partir da percentagem que retiram dos retalhistas sempre que um cartão de crédito é usado numa compra, os credores esperam ter benefícios quando os consumidores gastam mais dinheiro através de telefones móveis e outros dispositivos digitais”, escreve a Bloomberg, citando a mesma fonte.
Outra possibilidade é o dinheiro que pode vir a entrar no iTunes Match, aparentemente uma das poucas formas para se conseguir apagar o álbum dos U2. O trabalho da banda foi distribuído como um produto disponível no iTunes, ou seja, está localizado nas contas de iCloud dos utilizadores. A única forma de apagar música do iCloud é subscrever o serviço iTunes Match, que armazena a música dos subscritores do iTunes no iCloud e a sintoniza automaticamente com os aparelhos da Apple que o utilizador tenha. Manter o iTunes Match custa uma média de 25 dólares por ano.

No dia em que a Apple anunciou os novos iPhones e Apple Watch, os U2 atuaram e tocaram um dos temas do novo álbum “Songs of Innocence”. Além desse “brinde”, a empresa de Cupertino foi ainda mais longe e disponibilizou, ao longo de 30 dias, a hipótese de descarregar gratuitamente o álbum completo a partir do iTunes.