Enquanto os profissionais de saúde de todo o mundo não têm mãos a medir para diariamente proteger a humanidade do surto de coronavírus, os hackers veem as instituições médicas como alvos especialmente vulneráveis para dirigirem os seus ataques. Neste sentido, Eugene Kaspersky, fundador e CEO da Kaspersky, alerta: os ciberataques a hospitais podem ser, nesta altura, equiparáveis a ataques terroristas.

Na passada quarta-feira, dia 22 de abril, no âmbito de uma videoconferência, Eugene Kaspersky juntou-se a Costin Raiu, Diretor da Equipa Global de Investigação e Análise da Kaspersky (GReAT), e a Yury Namestnikov, responsável pela equipa GReAT na Rússia, para discutir as implicações da pandemia COVID-19 na cibersegurança. Eugene Kaspersky salientou que, apesar das medidas de distanciamento social que foram sendo implementadas um pouco por todo o mundo, o panorama da cibersegurança sairá pouco impactado, no que respeita à atividade dos hackers.

“É muito provável que os cibercriminosos continuem ativos. Afinal, eles já estavam habituados a trabalhar desde casa, sendo que as atuais circunstâncias não vieram alterar esse cenário. Continuarão focados em atacar as empresas e as pessoas, por isso, é nossa missão trabalhar com afinco para defender os nossos clientes”, afirmou Eugene Kaspersky, acrescentando que, no atual momento, “qualquer ciberataque dirigido a um hospital pode ser considerado o equivalente a um ataque terrorista”.

Em concreto, a Kaspersky já adotou medidas de apoio às organizações médicas durante este período difícil, disponibilizando-lhes gratuitamente – pelo período de seis meses – o acesso à sua gama de soluções de segurança corporativa.

Costin Raiu acredita também que, embora exista pressão sobre os hospitais para que mantenham os seus sistemas seguros, a verdade é que as circunstâncias atuais fazem desse desafio maior do que o habitual. “É compreensível que os profissionais de saúde estejam totalmente concentrados na sua missão de cuidar dos pacientes e salvar vidas e, por isso, não tão preocupados com as medidas de segurança, como a atualização dos sistemas. Neste momento, a própria gestão dos recursos também mudou face ao que é mais prioritário, pois se for necessário escolher entre investir em soluções de cibersegurança ou em novos equipamentos médicos, sabemos claramente que só existe uma opção”, salientou o especialista.

Sobre o panorama geral das ameaças, verificou-se nos últimos meses um aumento dos ataques oportunistas e altamente direcionados, com as campanhas de spear phishing, em particular, a representarem um desafio maior, uma vez que visam atingir os utilizadores através de conselhos falsos, relacionados com o novo coronavírus. Yury Namestnikov confirmou: “estamos a assistir à propagação de mensagens sobre a COVID-19 com o objetivo de induzir as pessoas em erro, levando-as a abrirem links ou ficheiros maliciosos, bem como a descarregarem malware. Só entre janeiro e março deste ano, houve já um aumento de 43% deste tipo de ataque”.

Manter o rumo certo

O surto também tem levado ao desenvolvimento de diversas aplicações de rastreamento social – com o objetivo de informar as pessoas se estiveram ou não em contacto recente com alguém que tenha contraído o vírus. Embora estes softwares estejam a ser criados em benefício da humanidade, existem algumas reservas e preocupações se estas tecnologias podem ter impacto na privacidade pessoal dos utilizadores. “Tratam-se de tecnologias que devem ser implementadas se contribuírem para salvar vidas. Contudo, há que garantir que a gestão de quantidades tão elevadas de informação é feita da forma certa, adequadamente protegida e criptografada, assegurando-se a segurança dos dados. Se este processo for feito de forma correta e transparente, as autoridades conseguem verificar quais as organizações que recolheram e deram uso à informação”, explicou Yury Namestnikov.

Costin Raiu também comentou este tema, realçando que espera que todas as aplicações lançadas nesta altura sejam utilizadas apenas como medidas necessárias e temporárias, ao invés de serem vistas pelas empresas como uma oportunidade para monitorizar dados pessoais em seu proveito. “Deparamo-nos com um dilema. O rastreamento móvel é usado agora para informar as pessoas sobre com quem estiveram em contacto, e ainda sobre como se podem manter seguras em casa. Mas, assim que voltarmos à normalidade, devemos pôr de lado estas tecnologias, fazendo por garantir que não passam a uma realidade permanente da nossa sociedade”, disse.

Planear em antecipação

A Kaspersky continua comprometida em ajudar os seus clientes durante esta crise pandémica, tendo-se adaptado facilmente à transição dos seus colaboradores para o teletrabalho. E embora o período atual levante uma série de desafios, resulta também em novas oportunidades para o futuro. Eugene Kaspersky acredita, por exemplo, que devido a esta nova realidade, mais empresas serão capazes de conectar os seus negócios com as pessoas, como nunca antes o tinham feito – o que será uma mais valia quando regressarem ao dia-a-dia normal.

“Sabemos que mais cedo ou mais tarde, tudo isto terminará. E as pessoas vão querer voltar a encontrar-se presencialmente, pois o contacto físico é, na maioria das vezes, a melhor maneira de interagirem. Nessa altura, podemos tirar proveito da tecnologia que estamos a usar agora para construir relações ainda mais fortes com os clientes”, reforçou o CEO da Kaspersky, dando o exemplo da sua própria empresa. Apesar da Kaspersky ter adiado a realização do Security Analyst Summit, devido às medidas de contenção social, acabou por solucionar este contratempo, agendando uma nova data e organizando ainda uma sessão online do evento, que não estava inicialmente prevista.

Para ter acesso às dicas da Kaspersky sobre como manter uma vida digital segura durante a pandemia, consulte o “Guia de Sobrevivência ao Coronavírus”, dedicado a este tema.

Classifique este item
(0 votos)
Ler 1658 vezes
Tagged em
Top