Faz hoje uma semana que estava a tomar um motivador café, logo pela manhã, quando fui surpreendido por uma alegre troca de ideias que ocorria na mesa do lado. Duas mães falavam dos filhos e da Internet. ‘A Internet é um vicio’, dizia uma. ‘Só serve para verem e trocarem o que não devem’, retorquia outra. ‘Por isso é que esta juventude é como é, está tudo mudado!’, concordavam. Ora isto deixou-me a pensar. Será esta a ideia que vem à cabeça de muitos pais, quando vêem os seus filhos acederem à Internet?
 
A partilha é certamente uma das principais razões que leva milhões de cibernautas a acederem diariamente ao mundo da World Wide Web. Se na origem dos três w’s essa partilha recaía essencialmente sob a informação, actualmente os tempos estão diferentes e partilhamos um pouco de tudo. As fotografias das nossas férias, os vídeos, e até experiências muito pessoais, factor este que motivou o aparecimento de muitos sítios, como o YouTube, Metacafe, e também dos blogs, já para não falar das comunidades on-line como são exemplo, o Hi5 e Orkut.
Mas o que será que nos leva a partilhar assim tanto? Será que o próprio ser humano possui por si próprio, esta fantástica capacidade de partilhar? Será benéfica toda esta generalização e acesso à informação e não só? Será prejudicial? Sinceramente não sei, mas um ponto em que todos parecemos concordar, é que a partilha ajuda-nos também a dizer ao mundo, estou aqui!

Quem ao fim de longas horas de trabalho e por circunstancias da vida chegava a casa e sentia-se sozinho, deixou de o estar. Assim como Nova Iorque é a cidade que nunca dorme, também a Internet é uma rede que nunca pára. Já viram bem a quantidade de coisas a que temos acesso com um simples clique?

Temos um problema no carro, podemos ir à Internet em busca de dicas para o resolver. Não estamos bem de saúde, podemos ir verificar as causas comuns desses sintomas e depois armarmo-nos em verdadeiros médicos quando vamos a uma consulta. Queremos divertir-nos, é só acedermos aos mais diversos sítios de jogos e vídeos. Queremos conversar e não nos apetece sair de casa? Pois bem, temos mil e uma forma de o fazermos na rede. Ou seja, tudo é possível através da Internet.

 Claro que o mundo da World Wide Web não é o paraíso. Como qualquer verdadeira sociedade constituída por milhões de homens e mulheres, onde há um lado branco, também existe um lado negro e é preciso navegarmos com cuidado. Mas no fundo o que acontece na Internet é o que acontece fora dela, numa versão menos virtual. Assim como nos podem roubar a identidade na Internet, também podemos ir na rua ser assaltados, e usarem o nosso bilhete de identidade e cartões. Se a Internet é um vicio, na vídeo real existem, por vezes, outros bem piores.

A postura assumida na Internet parte do intimo de cada um. Não acho que a Internet nos mude, ou altere. Talvez faça assumirmos identidades e termos outros comportamentos por podemos ser quem quisermos, só que mesmo isso está dentro de cada um. Quem é equilibrado no mundo real, mais dificilmente será desequilibrado no mundo virtual.

Pessoalmente, acho que os benefícios são superiores às perdas. Temos um acesso extremamente rápido à ideia global, andamos mais informados, trocamos opiniões e ideias assim que nos apraz. Para além disso já viram a quantidade de oportunidades de trabalho que a Internet nos trouxe nos mais diversos campos?

O segredo reside apenas em separar o que é real, do que é virtual Se houver uma boa conjugação entre estas duas realidades, a Internet não prejudica ninguém e até nos ajuda a desenvolver. Conta, peso e medida, mas afinal esta é a regra de ouro em tudo, não é?

Por isso aquelas mães que me perdoem, mas deixem os seus filhos navegar. Não se sabe até quando o futuro de algum deles não passará pela Internet.

Boas navegações!

 Autor : Bruno Fonseca (Jornalista)
 
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