Numa autêntica tentativa de renovação de mercado, nas suas soluções de câmaras digitais, a Panasonic traz-nos agora um equipamento que se pretende colocar num patamar bem próximo das câmaras fotográficas de cunho mais profissional, com a sua nova híbrida Lumix GH3H. Esta aposta, mostra-nos uma forte tentativa da Panasonic de associar as novas tecnologias, ao nível da difusão Wi-Fi, ecrãs Touch e gravação de vídeo em Full HD ao topo das câmaras fotográficas digitais do momento, apresentando assim uma câmara de excelente qualidade formal e com um elevado desempenho, fazendo justificar a sua entrada na gama alta do mercado.

 

 

Embalagem

Uma vez mais, a Panasonic apresenta-nos embalagens simples (até mesmo numa gama tão elevada), totalmente em cartão canelado simples, e apenas pintado do lado de fora, em tons de cinzento brilhante, e com as faces laterais e traseira num tom de azul muito escuro, quase negro. As informações fornecidas na embalagem são as convencionais, com o logótipo da Lumix em grande destaque (bem maior do que o da Panasonic até), e com uma imagem da nossa câmara na face de topo da embalagem. Já no seu interior, podemos encontrar vários perfis de cartão que dividem toda a embalagem em vários compartimentos, onde podemos encontrar num primeiro patamar um CD com software e utilitários da Panasonic, e ainda vários manuais de utilizador. Abrindo este compartimento, podemos então encontrar a nossa câmara e respetiva lente, dentro de pequenas saquetas de tecido branco, e ainda um cabo de saída AV digital para USB, e o carregador (e bateria) da nossa Lumix, numa pequena caixa de cartão acoplada junto ao corpo da câmara.

 

Design

A Lumix GH3H apresenta-se como uma câmara de proporções e detalhes muito aproximados aos das câmaras Reflex profissionais, com um corpo algo pesado, perfis de borracha estriada nas zonas de aderência dos dedos, e um base mais larga e apropriada para a mão na zona do botão de disparo. Disponível apenas em negro, uma vez mais, a par de gamas mais profissionais, e com as suas superfícies em borracha num tom de cinzento-escuro, o corpo da GH3H revela-nos um plástico denso, muito rígido, com alguma textura e quase completamente sem brilho. Tal como tem sido imagem de marca da Panasonic nos seus últimos modelos, a ergonomia volta a estar presente, com uma pega muito interessante, quer ao nível do corpo da câmara, quer da sua lente, e todos os botões de relevo colocados à disposição do polegar direito, ou, em casos de alterações rápidas mas cruciais (como o equilíbrio de brancos, ISO ou EV), através da conjugação de polegar e indicador. Uma das inovações desta câmara que poderá auxiliar o utilizador é o facto de a Panasonic inserir nesta GH3H duas tipologias de visionamento de imagens: uma, através de um visor digital, podendo o utilizador olhar pela "janelinha" como se esta fosse uma câmara Reflex convencional, e a outra tipologia, através de um ecrã Touch rebatível lateralmente, que se acende/apaga automaticamente através de um sensor de luz. Por outras palavras, se o utilizador tiver o ecrã Touch aberto, e aproximar o seu olho da câmara como se estivesse a utilizar uma Reflex convencional, o ecrã Touch automaticamente apaga-se e o utilizador poderá ver todo o Display através do visor, uma vez que o sensor de luz está colocado mesmo por baixo do visor, e ao aproximarmos a nossa cara vamos coloca-lo totalmente em sombra. Por outro lado, caso nos afastemos do visor da nossa câmara, o ecrã Touch ir-se-á acender de seguida, podendo inclusive o utilizador controlar todas as opções (incluindo pontos de foco, etc.) com os dedos, visualizando logo a sua imagem final. E uma vez que este ecrã, quando aberto, é também rebatível verticalmente, podemos tirar fotografias com a máquina mais elevada (ou mais baixa) do que a nossa cara, ou inclusivamente a nós próprios, rodando o ecrã a 180º, que continuamos sempre a poder ver "em direto" a imagem.

 

Em termos de disposição de componentes, a bateria e a rosca para tripé são os únicos registos na parte de baixo desta câmara, que tem na sua face lateral mais larga, perto da bateria, a tampa para os cartões SD. Já a face lateral oposta conta com duas pequenas tampas de borracha, uma para se ligar auriculares à nossa câmara, para assim podermos ouvir o som fruto da gravação vídeo, e a outra para os cabos HDMI e AV Digital. A face traseira, virada para o utilizador, conta com a maioria dos botões, e quase todos à direita do visor, ficando apenas à esquerda o botão de visualização de imagens e o 5º botão de Funções, o Fn5. O ecrã Touch ocupa mais de metade da área útil desta face, e poderá estar sempre fechado, em todas as ocasiões, caso o utilizador queira dar um uso à sua câmara mais próximo daquilo que é a interação com uma Reflex convencional. Já a face superior, conta com o botão On/Off em formato gatilho, e dois botões circulares, giratórios, referentes aos modos de fotografia e ao método de disparo. Ambos os botões contam com ranhuras triangulares à volta, a fim de garantirem uma melhor aderência dos dedos, em que os programas selecionados são definidos por pequenos marcadores brancos na face da câmara. Ao centro, podemos encontrar as colunas com 4 pequeníssimas ranhuras, identificadas pelas letras L e R, e ainda o encaixe para um flash adicional, assim como o flash propriamente dito, que só abre caso a câmara esteja ligada, num formato em tudo idêntico ao de um equipamento Reflex. Sem falhas visíveis ou melhoramentos a apontar, esta é uma câmara que à primeira vista poderá facilmente ser confundida com uma Reflex profissional, dada a sua robustez e aparência, assim como toda a disposição de botões, que nos remete deste logo para uma câmara profissional. Já a lente a que tivemos acesso, a 14-140 da Panasonic, mostra-se como um componente robusto, de boa qualidade estrutural, com uma anilha larga em borracha para zoom e outra em plástico, mais fina, para foco manual. O plástico, ora em tom mais metalizado, ora em negro, mostra-se de boa qualidade e acabamento, e o para-sol oferece ainda um cunho mais profissional e de bom acabamento (e proteção) a toda a lente, integrando-se muito bem em toda a formalidade desta GH3H.

 

Caraterísticas Técnicas

Embora conte apenas com um sensor de 16 Megapíxeis (quando noutras gamas mais baixas da própria Panasonic chegamos com alguma facilidade aos 18 Megapíxeis), esta é uma câmara que se revela dotada de enorme potencial. Podendo gravar imagens em RAW ou em 3D (com a respetiva lente da Panasonic acoplada), e uma resolução máxima de 4608x3456 pixéis por imagem (em modo 4:3), ou 1920x1080 em Full HD, com um tempo de gravação que poderá ir até às 4 horas contínuas (numa utilização comum até às 2 e meia, talvez 3 horas de gravação), a Lumix GH3H mostra ter em si um potencial bem maior do que o tamanho do sensor, mostrando-se como uma solução que pretende, em termos de eficácia, rivalizar verdadeiramente com gamas profissionais de outras marcas Reflex. Outros destaques nas suas caraterísticas vão ainda para os diferentes modos de focagem, com deteção de rosto e até 23 pontos diferentes, modo Wi-Fi com controlo remoto sobre a câmara, ou ainda vários estilos de imagem e efeitos que podem ser utilizados no momento de disparo.

 

Caraterísticas Técnicas

 

Interface

Depois de alguns modelos em que a Panasonic pretendeu claramente colocar uma parafernália de novas tecnologias ao utilizador, sem que com isso o interface e a utilização das próprias câmaras saísse beneficiado, tem-se vindo a notar, a cada modelo novo da marca nipónica, um verdadeiro melhoramento na criação e disposição de interface, com menus cada vez mais agrupados, de funcionalidades díspares e bem definidas, fáceis para qualquer utilizador, mais, ou menos experiente no que a este tipo de equipamentos diz respeito. De facto, a Lumix GH3H conta com duas tipologias distintas de interface (Touch e por botões físicos) que se conjugam e se complementam de um modo extremamente equilibrado. Em termos de botões físicos, e fora os convencionais numa câmara digital, temos 5 botões de funções agrupadas, os Fn, sendo que o Fn1 se encontra junto ao LED azul de Wi-Fi, e serve, consequentemente, para configurar as ligações wireless da nossa câmara. Já o Fn2, ou Quality Menu, dá-nos acesso a todas as definições referentes à qualidade de imagem, seja fotográfica ou vídeo, e ainda à compensação de EV's. O Fn3 remete-nos para os pontos de focagem inteligente, em que podemos selecionar um qualquer local ou face do nosso referente, e mantê-lo focando, independentemente de apontarmos nessa ou noutra direção. O Fn4, também utilizado em menus como o botão de saída ou para apagar imagens, serve, em modo inteligente (iA), para controlar em modo semi-automático a velocidade de disparo em relação à abertura do diafragma. Fora o modo iA, este botão serve para o utilizador ter uma perceção daquilo que é a imagem no ecrã, e uma simulação da imagem final, para podermos visualizar, antes de disparar, se por exemplo a nossa imagem iria sair demasiado clara ou escura. Por último, mas não menos interessante, o botão Fn5 garante-nos a alternância manual entre imagem visível no visor ou no ecrã Touch, no caso de, por exemplo, querermos ou precisarmos de "enganar" o reconhecimento de sombra feito pelo sensor - algo que poderia acontecer em situações de muita luz, como fotografia na rua, com sol, em que a luz incidisse no sensor mesmo com a nossa cara encostada ao visor. No entanto, o sensor de luz mostra-se muito bem aperfeiçoado, e as vezes em que a câmara se revela "enganada" pela luz são muito próximas de 0. Paralelamente, e na já referida complementaridade entre botões físicos e Touch, através do ecrã, temos acesso ainda a dois outros menus Fn, o 6 e 7, sendo que o Fn6 liga ou desliga a bolha digital no Live View, e o Fn7 liga o histograma, passível de ser colocado em qualquer parte do ecrã com um suave toque e arraste. Deste modo, a Lumix GH3H mostra-se verdadeiramente como uma câmara fotográfica de ponderações já muito perto de uma gama profissional, com um interface extremamente intuitivo, que valoriza o utilizador e premeia um controlo total e direto sobre a maioria das configurações da câmara, permitindo assim a qualquer tipo de utilizador, grandes fotografias sem qualquer esforço.


 

Experiência de Utilização

Para os utilizadores que já estiverem habituados às mais recentes gamas de câmaras fotográficas da Panasonic, este modelo não traz nada de particularmente inovador ou de demorada adaptação. No caso dos que não estarão tão habituados a esta marca, o processo de adaptação faz-se de um modo bastante rápido, com menus bem detalhados e explicados em português, sendo o maior processo de adaptação a memorização dos botões Fn e respetivas funcionalidades. O ecrã Touch rebatível mostra-se como uma verdadeira mais valia para fotos de ângulos arrojados sem esforço, e a aproximação desta câmara a uma Reflex convencional dá aos mais entusiastas pela fotografia uma melhor noção de controlo sobre a máquina, com acesso a variadas funções e efeitos que permitem otimizar ainda mais cada fotografia tirada. Contudo, durante a utilização foram detetados 3 aspetos menos positivos nesta Lumix GH3H. O primeiro ponto negativo, prende-se num fator comum entre muitas câmaras equipadas com lentes com para-sol, e é o facto de que, a fotografar com Flash um referente até 1,5 metros de distância, a nossa imagem vai ficar com uma elipse parcial em baixo na imagem, totalmente em sombra, devido precisamente à utilização do para-sol. Este é um "fenómeno" muito comum às câmaras Reflex, quando se utiliza o flash integrado na própria máquina, daí que é uma questão talvez de pouco relevo no que diz respeito ao real potencial desta câmara. Uma outra questão "menor", reside no visor digital, e no cansaço ou desfoque que muitas vezes se nota depois de se efetuar vários disparos, ou não olhando pelo visor num ângulo exatamente perpendicular ao do pequeno ecrã, o que provoca em alguns casos a ideia errada de que a imagem está desfocada ou tremida, mas tal fator apenas está relacionado com a distância a que o ecrã no visor está do nosso olho, assim como o tempo a que estamos a olhar, que poderá provocar algum cansaço rapidamente. Já o terceiro e último ponto negativo aquando da utilização desta câmara Lumix, mostra-se de maior interesse para o utilizador casual que gostar de tirar partido das potencialidades Macro da sua câmara. Embora o modo inteligente (iA) se revele favorável ao utilizador na maioria das situações, no que diz respeito às fotos em Macro em que se queira focar o referente mais próximo, e respetivamente, desfocar o fundo, a nossa câmara vai ter uma insistente tendência para focar o fundo e só o fundo, esquecendo-se por completo do primeiro referente. Para tal, contribui ainda o facto de esta câmara focar apenas a uns otimistas 25 cm da nossa lente, e sem qualquer zoom, o que faz com que muitas vezes tentemos (até mesmo com recurso ou foco por ponto Touch) focar o primeiro referente mas sem qualquer sucesso, tornando-se num processo algo frustrante e que poderá fazer o utilizador perder tempo crucial quando muitas vezes não o tem a fim de captar uma excelente imagem.

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Desempenho

Numa perspetiva global, a Panasonic Lumix GH3H mostra-se à altura de qualquer desafio, de dia ou de noite, em que apenas o flash integrado revela ser o seu maior limitador de potencial, uma vez que o seu alcance é relativamente limitado, e em fotografia noturna, será muito comum que este se perca logo pelo primeiro referente, ficando por vezes todo o fundo num irreversível tom de negro. Contudo, e com exceção feita a uma tão exigente utilização do flash, esta é uma câmara que consegue facilmente imagens (e vídeo) de grande qualidade, nítidas, de tons fortes e contrastados mas sem nunca perder o realismo, com um muito bom equilíbrio de brancos pré-definido e bons modos "artísticos" para explorar. A qualidade de imagem é francamente elevada, sem ser perfeita, mas garante ao utilizador uma fotografia de muito boa qualidade (e tamanho) com muito bons pormenores bem definidos.

 

Autonomia

A Panasonic tem vindo a habituar os seus utilizadores e consumidores a terem acesso a câmaras fotográficas com uma muito boa autonomia, e a Lumix GH3H não é exceção. A bateria de lítio que equipa esta câmara permite, mesmo com recurso ao ecrã rebatível e a um considerável visionamento de imagens, captar largas centenas de imagens com um só carregamento, assim como efetuar longos períodos de filmagem sem que o utilizador fique com receio de vez o seu vídeo interrompido por falta de carga. Este é um equipamento cuja autonomia não desaponta em nada tendo em conta câmaras da mesma gama no mercado, aconselhando apenas o utilizador a ter consigo um cartão de memória de 4GB ou superior, caso pretenda usufruir de vídeos mais longos em Full HD, uma vez que são de longe ficheiros muito pesados e que rapidamente vão extinguindo o espaço livre no nosso cartão SD.

 

Outras Funcionalidades

Curiosamente, a Panasonic decidiu apostar nesta sua gama alta de câmaras fotográficas como soluções mais profissionais, acabando por em parte limitar esta potente Lumix GH3H no que diz respeito a várias tipologias de fotografias mais artísticas ou viradas para um utilizador que procura fotografar enquanto um passatempo, uma paixão, e não de um modo profissionalizado. Deste modo, fica um pouco aquém das expetativas verificarmos que câmaras (da própria Panasonic) de gama baixa, que custam 6 vezes menos que a GH3H contam com modos de fotografia panorâmica, filme em alta velocidade, ou até mais modos artísticos e de cenário, com disparos múltiplos, entre outras funcionalidades que acabam por estar em falta num modelo que afinal de contas, não deixa de ser um híbrido, e onde dada a qualidade de imagem, ou por outras palavras, a potência que esta câmara debita, não podermos verdadeiramente aproveitá-la ao limite, procurando todas as soluções a que esta câmara tem potencial para oferecer.

 

Conclusão

Em suma, a Panasonic Lumix é uma câmara que mostra ter um potencial enorme para oferecer a qualquer utilizador, mais, ou menos experiente, e que poderá ser explorada tanto de um modo mais casual como de um modo muito similar ao profissional, dadas as suas configurações. Contudo, este equipamento não deixa de ser um híbrido, e a sua inserção no mercado por parte da Panasonic acaba por estar algo indefinida, uma vez que coloca neste conjunto o valor de 2100€, equiparado a modelos Reflex profissionais de elevada qualidade, sendo que, para todos os efeitos, esta não é uma câmara profissional. Tem potencial para isso, não haja dúvida, mas não é de todo um modelo que se possa inserir na gama da fotografia profissional, pelo que sendo para uma fotografia mais casual e em parte, artística, acaba por estar limitada por falta de algumas funcionalidades que já vimos a Panasonic reproduzir, e muito bem, como é o caso da sua compacta TZ-40, a que a Wintech anteriormente teve acesso e que conta com algumas excelentes funcionalidades que a Panasonic infelizmente não transportou para esta excelente GH3H. No geral, esta é uma ótima câmara, que constitui uma muito boa solução para quem quer obter fotografias de qualidade de um modo simples, explorando os mais variados ambientes e iluminações. Uma verdadeira aposta de qualidade por parte da Panasonic.

Positivo na Panasonic Lumix GH3H

+ Muito boa qualidade de imagem.

+ Menus simples e bem agrupados.

+ Ótima autonomia mesmo com uma utilização mais exigente.

+ Wi-Fi incorporado com definições para controlo à distância.

+ Vídeo Full HD e fotografias em RAW.

Negativo na Panasonic Lumix GH3H

- Faltam modos panorâmicos e de cenário.

- Pequenas lacunas no foco automático.

- Flash incompatível com para-sol a curtas distâncias.

 

 

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Ler 4209 vezes Modificado em Ago. 31, 2013
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