Q.U.B.E. tem uma nomenclatura muito curiosa. À primeira vista, olhamos para o nome e surge-nos logo Cube na mente, que em português significa cubo. Faz sentido, visto que a grande maioria do jogo se desenrola através de mecânicas que nos permitem controlar cubos de várias cores e tamanhos. Contudo, são na verdade siglas que significam Quick Understanding of Block Extrusion. Qualquer coisa como um conhecimento rápido da extracção de blocos. O meu grande problema com Q.U.B.E. foi justamente esse – é apenas um jogo que desafia o nosso conhecimento rápido da extracção de blocos.

 

 

Mas vamos por partes, ou por blocos, se me permitirem o trocadilho fácil. Primeiro que tudo, o enredo. Um belo dia, acordamos dentro de um espaço completamente fechados e abandonados, com um par novo de luvas bastante techies. O objectivo é sairmos de dentro daquele espaço confinado. Basicamente, é isto. Porque é que existe tal espaço? Não interessa. Quem somos nós na realidade e o que fazemos ali? Pouco importa para além do vago “somos os únicos capazes de desactivar este aparelhómetro que vai destruir a Terra”. É um jogo que não requer enredo, ostentando esse facto com muito orgulho. Porém, neste tipo de jogos, a falta de uma história coesa e apelativa é colmatada pela jogabilidade altamente viciante. Menos no Q.U.B.E.

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Convém reforçar que este jogo nasce enquanto um projecto universitário criado pelos developers que formariam a Toxic Games. Essa mesma aura de “projecto académico” está fortemente vincada no resultado final. A jogabilidade é altamente insípida e repetitiva, não exagerando nunca com a questão dos cubos. Temos que puxar cubos coloridos, aumentar outros cubos, mudar cubos da sua posição, arrastar através das mecânicas outros cubos... tudo, sem um fio condutor. Simplesmente porque sim. O desafio é bastante limitado, rapidamente se chega ao fim de Q.U.B.E. Os cenários são, à semelhança de todo o jogo, repetitivos. São sempre quadrados brancos que vão mudando de posição. A música é praticamente inexistente e o que se pode dizer dos gráficos é que, apesar do branco estar bem modelado, a física por detrás dos cubos, muitas das vezes, denota demasiado o facto de ser um videojogo. Não existem ressaltos de cubos, o movimento dos mesmos está intimamente programado e delineado, cabendo-nos a nós, apenas, movimentar os cenários bem o suficiente para os colocar na reta certa.

 

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O meu conselho? Q.U.B.E. é um bom passatempo para quem tiver 2 ou 3 horas disponíveis para gastar e não pretender passar muito tempo a reflectir sobre um enredo pesadíssimo, recheado de  desafios de jogabilidade intensos. Se, no entanto, procurarem algo mais substancial, esta não será a melhor escolha. Este jogo, repito, nasceu enquanto um projecto universitário. É com essa luz que devemos analisar Q.U.B.E. e perceber que, apesar do potencial, o resultado final está ainda longe daquilo que os seus developers prometem.

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Ler 3259 vezes Modificado em Ago. 29, 2015
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