Disponível para XBox One e PS4 (versão para PC prevista para a Primavera de 2016), “Need for Speed” é o mais recente capítulo da icónica série de corridas de automóveis da Electronic Arts.

Depois de vários deslizes que afetaram bastante a popularidade de uma das séries mais respeitáveis do mundo dos videojogos, a Electronic Arts entregou à Ghost Games, a produtora que também desenvolveu “Need for Speed: Rivals” em colaboração com a Criterion Games, a responsabilidade de fazer um "reboot" a Need for Speed e trazer de volta os dias de glória de outrora.



A fórmula encontrada pela Ghost Games foi juntar o que de melhor dos vários capítulos da série nos ofereceram ao longo dos anos, de forma a criar uma experiência verdadeiramente empolgante e diversificada. Assim, as famosas perseguições policiais de "Most Wanted", as intensas corridas de "The Run" e a personalização de automóveis de "Underground", só para dar alguns exemplos, juntam-se num único jogo. A juntar a tudo isto, existe ainda a exigência de uma ligação permanente à Internet, de que não somos particularmente grandes fãs, de “Need for Speed World”.

A combinação de tudo isto poderia, e deveria, resultar na derradeira experiência “Need for Speed”, mas à medida que avançamos no jogo percebemos que as nossas expetativas estavam demasiado altas, e que nem tudo está como imaginávamos.

youtube.com/watch?v=h8TD4N8dWpk

 

Primeiros passos...

 

Como já referimos, para jogar “Need for Speed” necessitamos de ter uma ligação permanente à Internet... caso contrário, nem chegamos ao "Hub" do jogo. É certo que raro é o jogador que hoje em dia não possui uma, mas uma interrupção temporária do serviço ou qualquer ou problema técnico pode impedir-nos de jogar. Por outro lado, ganha-se a possibilidade de partilhar o mundo do jogo com outros jogadores, de partilhar experiências com eles, e de ter acesso ao desempenho dos nossos amigos.


“Need for Speed” inicia com um prólogo onde temos o primeiro contacto com o mundo do jogo, e uma série de sequências cinematográficas interpretadas por atores reais. Inicialmente, estas sequências até nos parecem interessantes e temos a vontade de ler todos os diálogos legendados em português (do Brasil), mas com o evoluir do jogo deixam de ter tanto interesse e tudo o que queremos é que passem rapidamente para irmos diretamente para a ação.

É também nos momentos iniciais que escolhemos uma de três viaturas com a qual vamos percorrer os primeiros quilómetros no mundo de “Need for Speed”.

 

Jogabilidade

 

Como referimos na introdução, “Need for Speed” combina várias experiências num só jogo. A nossa evolução no jogo baseia-se na participação de uma série de eventos que são desbloqueados à medida que o nosso nível de reputação aumenta. Entre os eventos encontramos os sprints, corridas contrarrelógio e as famosas competições de drifts (derrapagens), que vão surgindo em diversos pontos no mundo do jogo. Enquanto alguns destes eventos em nada contribuem para a evolução da história, apenas para ganhar reputação e algum dinheiro, muitos destes eventos são indicados pelos personagens do jogo, o que equivale a dizer que são obrigatórios para avançar na história.

Para além dos eventos, podemos também ganhar reputação com algumas manobras que realizamos enquanto exploramos o mundo do jogo, ou nas famosas perseguições policiais que não são tão frequentes nem intensas como esperávamos. Na verdade, não existem assim tantos carros de policia no jogo, e quando se inicia uma perseguição, é fácil despistar os homens da lei - bastam um par de curvas e uma reta onde se possa utilizar o Nitro para os despistar.

Quanto ao elemento que os apaixonados pelo "tuning " mais adoram, a personalização do carro, e existem mais de 50 carros na versão base do jogo (sem DLCs), este oferece-nos uma série de opções que nos permitem melhorar o desempenho e visual do nosso carro. Podemos adquirir e equipar estas peças à medida que vão sendo desbloqueadas quando subimos de nível e participamos em eventos, embora existam algumas espalhadas pelo mundo do jogo e que nos saem a custo zero. De referir que cada carro tem o seu próprio conjunto de peças, sendo que muitas das que encontramos pelo mundo do jogo não se adequam ao carro que conduzimos no momento.

youtube.com/watch?v=F3gy5_fzW6g

Existem ainda vários pontos de interesse espalhados pelo jogo que podemos tentar encontrar e colecionar. Falamos de locais para uma bela foto ou paredes com arte urbana que podemos admirar. Podemos ainda queimar um pouco de pneu a fazer um zero nos locais assinalados.

Voltando à exigência de uma ligação permanente à Internet, esta só se justifica pela possibilidade de partilhar experiência com os outros jogadores que estão no jogo. É sempre possível, por exemplo, desafiar outro jogador para uma corrida, e existem ainda os eventos diários que podemos tentar completar. Por outro lado, caso a nossa ligação à Internet falhe, somos imediatamente "expulsos" do mundo do jogo sem qualquer hipótese de jogar. Pensamos que este é um aspeto a rever pela parte da Electronic Arts, pois pelo menos os eventos fixos poderia estar acessíveis mesmo sem estarmos ligados aos servidores.

No que ao controlo do carro diz respeito, tudo depende dos ajustes e caraterísticas próprio carro. Inicialmente, tivemos um pouco de dificuldade em descobrir como utilizar o travão de mão para fazer "drifts", entre outras manobras, mas com um pouco de prática lá conseguimos realizar uma série de manobras e vencer uma série de competições. Não sendo obrigatório, podemos sempre ajustar o equilíbrio do carro para deslisar com mais facilidade, embora se torne mais difícil de controlar noutras situações.

Outros elementos que poderiam influenciar a nossa experiência, mas que no fundo são meramente figurativos, é o sistema climatérico e os danos do carro. O carro comporta-se de igual forma quer esteja em piso seco e molhado (e no jogo está quase sempre a chover), assim como quando está imaculado ou após uma valente colisão frontal.

youtube.com/watch?v=y32dfdsznFc 

 

Gráficos e Som

 

“Need for Speed” tem tudo para ser um grande jogo a nível gráfico. O mundo é vasto o suficiente para nos oferecer diversos ambientes, os elementos visuais das estradas, edifícios e tudo o que os rodeia apresenta-se num excelente nível, os carros foram recriados com grande qualidade, realismo e detalhe, e o sistema climatérico e ciclo dia/noite ajuda a compor o cenário.

Até aqui tudo bem, não fosse a Ghost Games ter exagerado na utilização da chuva e ambientes noturnos. Na verdade, a maior parte do jogo é passado de noite e com chuva. A passagem pela luz do dia é demasiado rápida e raramente apanhamos uma estrada seca. É certo que isso enfatiza o ambiente "underground" e fora da lei, mas acaba por nos saturar. Talvez isso seja corrigido numa próxima atualização, mas para já é o que temos.

Quanto ao ambiente sonoro, é o que “Need for Speed” nos tem habituado desde há alguns capítulos. Uma banda sonora variada, envolvente e adequada ao tema do jogo, e que em muitos momentos nos dispara a adrenalina, e efeitos sonoros bastante realistas.

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Conclusão

 

“Need for Speed” tem tudo para ser um extraordinário jogo de corridas de automóveis, e talvez uma ou outra atualização o ajude a alcançar esse patamar. No entanto, no seu estado atual, o jogo apresenta algumas questões que prejudicam a sua nota final. Falamos essencialmente da falta de algum conteúdo que nos leve a passar mais horas "agarrados" ao comando, e alguns ajustes nos ambientes demasiado sombrios.

De qualquer forma, este é um jogo com argumentos suficientes para prender os verdadeiros fãs do "tuning" e das corridas de automóveis, ou apenas o que acompanham a série Need for Speed desde as suas origens. Este é um jogo que combina todas as experiências da série, embora ainda precise de um ou outro ajuste.

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Ler 3646 vezes Modificado em Jan. 09, 2016
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