Casos no Reino Unido e Canadá resultaram em perdas superiores a 35 milhões de dólares, enquanto em Itália uma voz clonada por IA foi usada para imitar o Ministro da Defesa. Hoje, com cerca de 20 mil dólares, é possível adquirir sistemas capazes de reproduzir qualquer voz em qualquer idioma, em tempo real, sem intervenção humana direta. A Check Point alerta que basta uma amostra de áudio de poucos segundos para clonar uma voz e que plugins de troca de rosto e pacotes de phishing com IA já circulam abertamente na dark web e no Telegram.
O relatório apresenta o conceito de "Deepfake Maturity Spectrum", que classifica estas ameaças em três níveis: offline (conteúdos pré-renderizados para campanhas de phishing e desinformação), tempo real (videochamadas e áudios manipulados em direto) e autónomo (agentes de IA que interagem com múltiplas vítimas simultaneamente). Estes sistemas são alimentados por modelos avançados como o DeepSeek, Gemini, WormGPT e GhostGPT, capazes de adaptar o discurso em tempo real.
Ferramentas como a ElevenLabs permitem criar vozes realistas em minutos, enquanto plugins de troca facial em vídeo são vendidos por algumas centenas de dólares. No Telegram, um pacote de phishing com IA, o GoMailPro, é anunciado por 500 dólares mensais, incluindo integração com o ChatGPT. Kits como o Business Invoice Swapper utilizam IA para analisar caixas de email e alterar faturas de forma automática, facilitando ataques sem grandes conhecimentos técnicos.
O FBI já alertou que a linha entre realidade e ficção digital está a desaparecer, com burlas em entrevistas de emprego, videoconferências falsas e deepfakes de áudio indistinguíveis de vozes reais. A Check Point reforça que estes ataques já são usados em campanhas de engenharia social em larga escala.
Como resposta, a empresa aposta numa defesa proativa, com soluções capazes de detetar e bloquear ficheiros manipulados por IA, isolar comportamentos suspeitos e neutralizar malware distribuído via deepfakes. Combinadas com políticas de zero trust e sensibilização dos utilizadores, estas medidas formam um escudo contra uma ameaça que nunca pára. Para a Check Point, os deepfakes não são o futuro do cibercrime - já são o presente.