Um dos dispositivos médicos mais conhecidos, o pacemaker, evoluiu de forma significativa ao longo dos últimos anos, e atualmente existem modelos que podem ser regulados e controlados pelos médicos através de sinais wireless e de equipamento específico para os reprogramar, o que nalguns casos eliminou mesmo a necessidade de intervenções cirúrgicas. Contudo o sinal não é encriptado, e no pior dos cenários isso poderá permitir a sua captação e manipulação por parte de terceiros, que hipoteticamente ganhariam o controlo sobre o ritmo cardíaco podendo literalmente provocarem paragens cardíacas e a morte do paciente.
As bombas de insulina são outro dispositivo médico comum, e aparentemente ainda mais suscetíveis de manipulação externa, conforme ficou provado recentemente numa conferência de hacking em Las Vegas. Os sinais wireless das bombas de insulina utilizadas nessa demonstração, foram intercetados a quase 1KM de distância por hackers com a ajuda de antenas rádio, e manipulados de forma a ganharem o controlo sobre o fluxo de injeção de insulina, proporcionando-lhes capacidades potencialmente letais para um possível paciente.
Não é difícil imaginar possíveis atentados a figuras políticas ou religiosas através de métodos semelhantes, possíveis de serem executados à distância e sem deixarem rastos. Qual o melhor exemplo que lhe poderíamos dar? Dick Cheney, ex-vice-presidente dos EUA, decidiu desativar as funcionalidades wireless do seu pacemaker para evitar possíveis tentativas de assassinato. Embora estivesse ciente dos possíveis riscos quando precisou de implantar o dispositivo em 2007, Dick Cheney só ficou verdadeiramente preocupado depois de um episódio muito discutido da série televisiva "Homeland", em torno de uma tentativa de assassinato de um vice-presidente através da manipulação do pacemaker, que representou um retrato preciso sobre aquilo que lhe poderia acontecer na vida real.
Esperemos que a próxima geração de dispositivos médicos tenha em consideração os perigos cada vez maiores (e fáceis de provocar) que a tecnologia representa hoje em dia.
Fonte : BSPI