Atualmente, mesmo quase sem se darem conta, a grande maioria dos utilizadores de dispositivos móveis tais como, smartphones ou tablets, utilizam e partilham informações de cariz geográfico desde o local onde se encontram ao restaurante onde foram almoçar ou mesmo ao local onde tiraram uma determinada fotografia. A evolução e massificação dos dispositivos móveis a nível mundial foi uma excelente alavanca para a globalização da utilização de informação geográfica. Esta informação contribui, a nível empresarial, para um conhecimento mais profundo do negócio levando a uma redução de custos operacionais, à utilização eficiente dos recursos disponíveis e à melhoria dos serviços prestados. Num Benchmarking realizado em 2013, cerca de 80% das empresas que investiram em soluções baseadas em localização concluíram que as mesmas trouxeram benefícios (fonte: http://socialmediatoday.com/mark-smith/2229801/location-analytics-delivers-geographic-insights ).
O reconhecimento da importância da informação geográfica juntamente com a evolução tecnológica que assistimos diariamente permite-nos levantar as questões que se traduzem nas tendências para esta tecnologia.
E se qualquer objeto real pudesse ser georeferenciável?
E se fosse possível adquirir informação geográfica em tempo real para qualquer objeto?
A resposta positiva a estas duas questões será uma das novas realidades apresentadas pelos sistemas de informação geográfica. Com a expansão da internet por locais cada vez mais remotos, com o custo cada vez mais baixo de componentes eletrónicos, com o fabrico destes componentes com cada vez menor dimensão e com a utilização massiva de tecnologias como o GPS, Wi-fi ou RFID, será possível que qualquer objeto possa ser georeferenciável e identificável. Por outro lado, com a evolução da capacidade de armazenamento de informação na Cloud será possível a disponibilização de serviços que recebem e tratam informação em tempo real proveniente dos mais variados objetos que transmitem informação de localização.
O conceito de qualquer objeto poder ser identificável está associado a uma outra tendência do mercado dos sistemas de informação, o The Internet of Things. Entenda-se como The Internet of Things uma rede de objetos físicos que contêm tecnologia embebida que lhes permite comunicar entre si e interagir com outros sistemas. Para além da componente de comunicação, estes objetos poderão ser dotados de sensores eletrónicos que permitem medir e avaliar o espaço que os rodeia. A união da informação geográfica a este tipo de objetos poderá ser feita recorrendo ao GPS ou a redes Wi-fi e acrescenta um grande valor aos dados recolhidos pois passa a ser possível saber, em tempo real, a localização do objeto.
O grande desafio no futuro para a implementação desta realidade passa pelo volume gigante de informação e pela velocidade de transmissão da mesma. Saber como gerir volumes gigantes de informação, sendo ela em tempo real ou não, sem encarecer muito o produto final e obter velocidades de transmissão muito elevadas será o principal requisito. Outro desafio importante de referir é a forma como vai ser implementada a segurança da informação recolhida por qualquer objeto. Segundo a Gartner, em 2020, o The Internet of Things estará instalado em cerca de 20 biliões de dispositivos (fonte: http://www.gartner.com/newsroom/id/2636073).
De modo a perceber a aplicabilidade deste tipo de soluções, pensemos no conceito de Cidades Inteligentes. Em qualquer cidade existem elementos chave que, ao serem identificáveis e localizáveis em tempo real, poderiam melhorar a gestão de recursos da mesma e a capacidade de resposta para qualquer problema. Por exemplo, seria possível monitorizar e verificar a existência de avarias em tempo real de todos os candeeiros ou sinais luminosos da cidade, avaliar o nível de ruído e de radiação emitida de locais em particular ou perceber se algum veículo municipal se encontra com algum problema. Na vertente de cada cidadão, seria possível visualizar em tempo real a localização de cada transporte público.
Os exemplos apresentados representam uma mínima parte de todos os cenários possíveis de implementar com esta nova realidade pois iremos conseguir perceber ainda melhor o nosso meio envolvente. Cabe assim, no futuro, ao sector empresarial responder da melhor forma aos desafios apresentados e conseguir ganhar a máxima vantagem competitiva perante o mercado.
Autor : Pedro Flores (Consultor da área de Development da Mind Source)
A informação sob a forma geográfica trouxe nos últimos anos uma visão diferente e inovadora sobre o mundo onde vivemos e sobre o modo de vida que adotamos. Enquanto há poucas décadas atrás associávamos a geografia a meros mapas em papel, hoje em dia associamos a mesma à disponibilização de informação muito rica e com capacidade de integrar as mais diversas temáticas. Mas o que a informação geográfica nos poderá trazer no futuro?