É a marca de telemóveis de que se ouve falar no momento. A LAIQ está a crescer e quer conquistar a preferência dos consumidores num dos mercados de telecomunicações mais exigentes e ecléticos da Europa. Em entrevista à Wintech, Pedro Soares dos Reis, sales & marketing manager da empresa, garante que os smartphones da marca portuguesa procuram o "equilíbrio entre tecnologia, design, qualidade e preço". Nas lojas já se vendem os modelos New York e Dubai e em breve serão lançados novos segmentos – e assinado contrato com um grande distribuidor. E o leitor, faz laiq a esta novidade?

 

 

A LAIQ é uma das mais recentes marcas portuguesas de eletrónica de consumo/telecomunicações. Qual é a história por detrás da criação da empresa?

A LAIQ surge na sequência da parceria entre a SDT Eletrónica, S.A e a PT que originou o fabrico de equipamentos para a PT/MEO. Houve a necessidade de os operadores se tornarem competitivos em segmentos de volume, alavancando não só o serviço, mas também a sua marca dentro de um quadro de convergência em que o Triple/Quad Play se tem vindo a revelar como uma boa oportunidade de crescimento e consolidação da oferta dos operadores no mercado das telecomunicações. A parceria com a PT deu-nos a possibilidade de criar 4 modelos para o portefólio da MEO, com vendas que ascenderam a mais de 100.000 unidades no primeiro ano, o que nos permitiu ter uma quota superior a 50% dos smartphones vendidos sob a marca MEO em 2014, e uma quota relevante no universo de smartphones vendidos pela PT no mercado português. Uma vez que existiam as fundações para o desenvolvimento do negócio de mobile, o passo lógico seria o lançamento de uma marca própria, partilhando os mesmos princípios de rigor para o mercado livre sobre uma insígnia apelativa e que consiguisse corresponder às expetativas dos consumidores. Assim nasceu a LAIQ, uma marca registada, produzida e lançada pela SDT Electrónica.

 

Que panorama existe atualmente em Portugal em relação à compra de smartphones?

O mercado mobile em Portugal é, como na maior parte dos países europeus, um mercado com uma grande consistência de rotatividade e previsibilidade em termos de volume. Tem um nível de maturação muitíssimo elevado, a avaliar pelo facto de neste momento cerca de metade do parque instalado mudar de telemóvel. A maior margem de progressão está obviamente centrada nos smartphones, sobretudo com o advento da convergência de serviços oferecidos pelos operadores, como o incremento e a estandardização do tráfego de dados incluindo nos pacotes de serviços. Estes fatores conjugados implicam o alargamento das capacidades de utilização dos smarthones a franjas de mercado que até aqui poderiam não contemplá-los. 

 

 

 

Como é que isso ajuda, ou não, as novas empresas a implementarem-se?

As circunstâncias não representam necessariamente uma ajuda ou falta dela. É óbvio que haver apetência comercial para absorver os produtos que se produzem é importante, ou até vital ,para qualquer empresa em qualquer área de negócio, mas na nossa perspetiva será com certeza mais importante a qualidade e o preço das propostas que realmente diferenciam as empresas e potenciam a capacidade que terão de singrar neste negócio. O mercado português é bastante maduro, exigente, muito dinâmico e bem informado. Na perspetiva da LAIQ, é mais importante a proposta que lançamos no mercado, em segmentos que alinham funcionalidade, expressão e preço e que, em última análise, poderão agilizar o processo de implementação da marca.

 

As novas marcas conseguem competir com as grandes marcas já implementadas no mercado?

A LAIQ tem a ambição de consolidar-se como uma marca portuguesa e de referência no mercado nacional, e tem ambição internacional, de forma a poder concorrer em plano de igualdade com as marcas estabelecidas, adquirindo o seu espaço próprio através da aposta numa relação equilibrada de qualidade Vs. preço e na constante adaptação dos seus produtos às necessidades dos utilizadores portugueses.

 

A LAIQ chegou a mercado com que objetivos?

A marca LAIQ surge no mercado com o objetivo de criar equipamentos livres (SIM-free) que cumprissem com o mesmo rigor técnico e estrutural dos que desenvolvemos para o operador e que correspondessem às necessidades de comunicação dos portugueses, estando naturalmente também alinhados com os seus gostos e preferências. Fizemos alguns focus groups para avaliar as suas preferências de utilização, sentir as suas necessidades de comunicação e validar as suas escolhas de design e acabamentos, de forma a estabelecermos os segmentos de produto que melhor se adequassem às necessidades de cada grupo de utilizadores. Achamos que o acesso à tecnologia deve ser simples e que poderemos ajudar as pessoas a entendê-la, encorajando-as a utilizá-la e inspirando-as a melhorá-la. A criação de produtos num equilíbrio perfeito entre tecnologia, design, qualidade e preço é a melhor forma de expressão desse conceito no mercado.

 

Que estratégias têm, a nível de marketing, para se posicionarem junto dos consumidores?

Temos a noção de que lançar e construir uma marca exige consistência, e como tal temos definida uma estratégia de marketing 360º com vista a atingir os objetivos de captação de presença em loja, presença na mente do consumidor e presença na “carteira do consumidor”. A parte mais visível é representada pela campanha de media que está no ar desde o mês de dezembro do ano passado, privilegiando a TV. Não nos posicionamos para ter um produto-estrela. Todos os nossos produtos são estrela, considerando que todos eles apresentam no seu segmento de preço as melhores, senão iguais, caraterísticas técnicas em comparação com outros fabricantes.

 

Já têm metas definidas de vendas e lançamento de novos produtos?

A marca ainda é muito recente. Estamos em processo crescente de volumes de produção, mas vamos seguramente em 2016 ultrapassar os dois dígitos em milhares de unidades vendidas numa base bimensal. O peso da marca LAIQ ainda não será muito representativo, justificado pelo fato de só ter sido lançada em 29 de setembro de 2015, havendo, no entanto, a expectativa de que no futuro o seu peso em quota e valor seja relevante.

 

 youtube.com/watch?v=7ytrUwPfcW0

 

Além dos parceiros revendedores dos vossos produtos, já vendem nas grandes superfícies?

Os nossos produtos são atualmente distribuídos por parceiros de referência especialistas da área das telecomunicações e multimédia, como é o caso da PhoneHouse, e também em canais de distribuição alternativos, como é caso da VASP, uma das maiores redes nacionais com mais de 2000 cadeias organizadas de supermercados, gasolineiras e áreas de serviço. Estamos também a concluir a assinatura de contrato com um distribuidor de referência para colocação do produto nas grandes superfícies. Além disso dispomos do nosso canal de venda online, através da loja LAIQ no nosso website

 

A LAIQ define-se em que conceito?

A LAIQ é uma marca assumidamente portuguesa e mostra-se focada em satisfazer as necessidades e expectativas do consumidor português, que é um dos consumidores mais informados e exigentes do mundo na área das telecomunicações. A nossa proposta de mercado alinha os produtos em segmentos que juntam funcionalidade, expressão e preço. Os dois primeiros modelos – New York e Dubai –, fazem parte do segmento Travel e são equipamentos com elevado desempenho e autonomia, com ecrãs de alta definição e câmaras fotográficas de alta resolução. No início de 2016, teremos ainda oportunidade de apresentar dois outros segmentos – Rhythm e Style –, cujos modelos seguem também as premissas e valores da marca. O primeiro será mais direcionado para um público mais jovem e o outro para um público mais preocupado com o estilo e o design aliado à melhor tecnologia. O nosso objetivo é ter em portfólio, no máximo,  cinco ou seis modelos atualizados anualmente. Queremos que os nossos equipamentos disponham de um ciclo de vida longo, que possam ser atualizados para as novas versões de software Android®, assim permita o fabricante dos SoC no desenvolvimento dos drivers necessários, e corretamente suportados pelo nosso serviço pós-venda. A LAIQ estará especialmente vocacionada para atuar em segmentos dos 79.90€ aos 249.90€.

 

O acesso de todos à tecnologia de última geração é um dos vossos propósitos. Em que é que a LAIQ marca pela diferença?

A nossa diferença reside no facto de desmitificarmos a tecnologia, no sentido em que nos dedicamos a garantir uma experiência simples e pura, sem complicar a experiência de utilização para os consumidores. A ideia fundamental é de que o consumidor está no centro e deve ser ele a escolher as ferramentas que quer e precisa, e nós garantimos que o dispositivo que usarão está otimizado e depurado para garantir uma utilização simples e rápida, daí o nosso enfoque ser muito na experiência do chamado "Stock Android".

 

E qual tem sido a adesão e feedback dos consumidores?

Até à data temos tido uma boa adesão e feedback dos nossos consumidores, que se tem refletido bastante ao nível de interação com a marca através dos canais existentes, quer no rating e avaliação da marca na rede social Facebook, quer no registo do produto no site, que está acima das expetativas iniciais. Esta recetividade encoraja-nos e faz-nos acreditar que este é um projeto com potencial e que existe margem para a marca ter o seu espaço e relevância no panorama atual de mercado.

 

O fabrico dos telemóveis é feito na China. Está nos planos da empresa sediar a produção em Portugal?

A decisão, desenvolvimento e execução de um produto é um processo complexo que tem início na análise das necessidades do mercado e na competitividade da solução que vai ser implementada. Demos inicio ao processo de procurement com a ajuda da nossa equipa baseada em Shenzhen, na China, para perceber quais os componentes ou parceiros que melhor se adequam às necessidades identificadas. Definidas as componentes de tecnologia e os custos de produção, temos reunidas as condições para iniciar o desenvolvimento de produto, feito na sua maioria em Portugal e em estreita ligação aos parceiros tecnológicos do projeto, com o processo de fabrico e assemblagem a ser finalizado na China, o que é, aliás, um ponto comum à maior parte dos fabricantes existentes no mercado. Não nos parece que sediar a produção em Portugal venha a ser possível a curto ou médio prazo, pois não existe até ao momento a necessária capacidade instalada em termos de produção e escala de componentes que permitam realizar a produção localmente e ser competitivo num mercado com a dimensão, dinâmica e complexidade estrutural que este tem.

 

Porque é que uma pessoa que queira comprar um telemóvel agora deve comprar um modelo LAIQ?

Uma pessoa deve comprar um telemóvel LAIQ porque a forma de expressão da marca é definida pela criação de produtos num equilíbrio entre tecnologia, design, qualidade e preço. Porque pensamos que o acesso à tecnologia deve ser simples e queremos ajudar as pessoas a entendê-la, encorajando-as a utilizá-la e inspirando-as a melhorá-la. Porque um LAIQ é simplicidade e tecnologia a um preço justo. E porque acreditamos que o acesso de todos à tecnologia de última geração é o nosso propósito como marca. Porque aqueles que, como nós, acreditam que a simplicidade, o design e a tecnologia se podem juntar num só equipamento... Devem comprar um LAIQ.

 

Pedro Soares dos Reis

Pedro Soares dos Reis, atualmente Smart Devices Carrier Sales & Marketing Manager na LAIQ, conta com mais de 15 anos de experiência nas áreas de vendas, marketing communicatios e trade marketing. Adquiriu experiência em empresas do ramo das telecomunicações, inclusive a nível internacional, assumindo cargos de chefia na equipa europeia de marketing da Motorola e como marketing manager em Portugal, o que lhe permitiu conhecer o mercado nacional. Trabalhou ainda na Samsung portuguesa como responsável da gestão do negócio na Vodafone Portugal. 

Trabalha agora no negócio mobile português, sendo diretor de marketing corporativo na SDT Eletrónica, S.A., gerindo as atividades de marketing e comunicação da marca de smartphones portuguesa LAIQ.

 

 
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Ler 3544 vezes Modificado em Jan. 23, 2016
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