Certamente para os criadores do spam, mais conhecidos como spammers, estas mensagens anónimas, enviadas em massa e não desejadas constituem o seu negócio diário, e à semelhança de muitos outros tipos de empreendimentos, o spam tem as suas próprias regras empresariais que regulam as relações entre o spammer e os seus clientes. O negócio do spam costuma operar de uma de duas maneiras: quer usando programas de afiliação ou associação ou, o que é mais comum, como uma relação “fornecedor de serviço – cliente”.
Um programa de afiliação ou associação significa que o distribuidor dos produtos paga ao spammer não pela mensagem em si, mas antes por cada cliente que lhe compre os referidos artigos. Em alguns casos, um programa associado pode ser iniciado pelo referido distribuidor mas, frequentemente, é uma terceira parte que convoca as empresas que oferecem os seus artigos e os spammers que estão dispostos a publicitá-los. Neste caso, o spammer e esta terceira parte ganham uma comissão paga pelo vendedor.
Este particular esquema de negócios é muito apreciado pelos negociantes de Viagra, de réplicas de relógios suíços e de software barato. Além disso, os programas associados costumam também incluir distribuidores de pornografia e de jogos de “azar” on-line.
A percentagem dos esquemas de associação para distribuição de spam no sector russo da Internet é muito variável, mas não costuma descer abaixo de 30-60% do total de spam.
A relação fornecedor de serviço – cliente é o método mais simples. O fornecedor de serviço é o spammer que oferece seus serviços. O cliente é a pessoa ou empresa que recorre a estes serviços para anunciar os seus produtos. No sector russo da Internet este esquema é tão frequente como o de associação.
O presente artigo começou com um ousado cabeçalho revelando que o spam é um indicador do estado da economia mundial. Ao aprofundar esta afirmação, podemos afirmar que a análise do spam permite acompanhar, de perto, o desenvolvimento da situação económica mundial. Evidentemente sem implicar aprofundada análise económica, mas salientando as tendências gerais dos vaivéns económicos. Basta saber para onde olhar.
Os sintomas da crise tornaram-se evidentes no spam distribuído como oferta de fornecimento de serviços-cliente, já que a maioria dos clientes eram pequenas e médias empresas, o sector mais afectado pela crise. Abaixo apresentamos um gráfico que ilustra as mudanças no volume de spam solicitado.

A primeira redução ocorreu em Agosto de 2008, comummente considerado como o mês em que começou a crise económica na Rússia. Entre Agosto e Outubro, a quantidade de solicitações de spam teve uma leve subida, mas recaiu sem voltar a alcançar os níveis anteriores à crise. A segunda queda considerável, quando a crise “bateu no fundo”, foi na primavera de 2009. Estas “contracções” ocorreram por dois motivos: os clientes dos spammers não tinham suficiente dinheiro para pagar a sua publicidade e muitas pequenas e médias empresas que recorriam ao spam como ferramenta primária de propaganda não lograram sobreviver à grave situação económica.
Apenas um sector do spam conseguiu enfrentar a crise: o imobiliário.

O volume deste tipo de spam no sector russo da Internet costuma ser insignificante porquanto a maioria das agências imobiliárias é constituída por grandes companhias que não recorrem aos serviços dos spammers. No entanto, durante este período, as pequenas empresas alugaram escritórios, o que aumentou a actividade propagandística durante a crise. O que parece bastante lógico. Muitas empresas falidas tiveram de abandonar os seus escritórios. As organizações que conseguiram sobreviver começaram a procurar instalações mais baratas Esta situação obrigou os empresários a reduzir os preços e a lançar campanhas publicitárias, incluindo de spam. Este sector teve o primeiro rebato em Outubro de 2008 e alcançou o pico na primavera de 2009.
Já mencionámos que o spam envolve duas partes: o fornecedor do serviço e o cliente. Apesar de os spammers representarem a economia clandestina, as suas “empresas” são, habitualmente, pequenas e médias, o que significa que também foram afectadas pela crise. A falta de clientes levou os spammers a publicitar os seus próprios serviços. De facto, apesar de este tipo de spam não ser novo nunca foi tão agressivo como durante a crise. Além disso, na tentativa de obter novos negócios, os spammers enviaram mensagens dizendo aos seus potenciais clientes que a propaganda por meio do “correio em massa” era perfeita para as pequenas empresas e que a sua actividade era completamente legítima.
![Proporção de spam com propaganda de serviços de [spammers] Proporção de spam com propaganda de serviços de [spammers]](images/cronicas/kaspersky_labs/wintech_kl_3.JPG)
Como pode ver no gráfico, os spammers começaram a registar a queda dos seus negócios em Novembro de 2008. Posteriormente, em Janeiro de 2009, a percentagem deste tipo de spam começou a aumentar, alcançando o seu nível máximo em Março de 2009.
O esquema de “associação” também registou progressos. Este esquema desenvolveu-se sem considerar se o spammer tinha ou não clientes. A participação neste esquema prometia, aos spammers, ganhos efectivos. Para o spammer, a ideia do esquema de associação é excelente, já que lhe garante uma recompensa por cada cliente que responda ao aviso. É por esta razão que quando os spammers registam uma queda no número de clientes, enveredam pelos programas associados com a expectativa de cobrir os custos mensais. Como se observa no gráfico seguinte, existe uma correlação inversa entre a quantidade de spam solicitado e a quantidade de spam distribuído, o que resulta no aumento dos ganhos graças à participação nos programas de associação.

Surge então a questão: o que leva os spammers a deixar de lado os seus clientes individuais e a envolverem-se nos esquemas de associação? A resposta é muito simples. A análise do spam no sector russo da Internet mostra que a maioria dos utilizadores russos não costuma comprar artigos publicitados através de programas associados. É por isso que os spammers russos preferem tratar directamente com clientes reais que pagam dinheiro real em vez de esperar que o milionésimo destinatário de spam compre Viagra.
Em Junho de 2009, a situação da indústria de spam teve uma melhoria; no entanto, demasiado curta para poder ser identificada como inclinação sólida. Em Agosto esta tendência multiplicou-se. Os clientes dos spammers começaram a voltar e a quantidade de spam solicitado por clientes individuais registou rápido crescimento. Em Setembro constatou-se que os resultados superavam a média em 50%, ao mesmo tempo que a quantidade de programas associados começou a decair.
A quantidade de spam que publicitava os próprios serviços dos spammers também diminuiu porque já não ser necessária.
A percentagem do spam imobiliário regressou aos níveis anteriores à crise, o que constituiu um bom sinal de que a economia começava a recuperar, uma vez que os proprietários de imóveis já não necessitavam de recorrer ao spam como ferramenta de propaganda para encontrar interessados.

Para concluir, a notável estabilização da indústria de spam é um indício da estabilização geral das pequenas e médias empresas na Rússia. Isto significa que os spammers têm, novamente, clientes dispostos a pagar pelos seus serviços, enquanto a reaparição do spam imobiliário sugere que as pequenas e médias empresas, as mais vulneráveis durante a crise económica, estão a recuperar a passo firme.
Um programa de afiliação ou associação significa que o distribuidor dos produtos paga ao spammer não pela mensagem em si, mas antes por cada cliente que lhe compre os referidos artigos. Em alguns casos, um programa associado pode ser iniciado pelo referido distribuidor mas, frequentemente, é uma terceira parte que convoca as empresas que oferecem os seus artigos e os spammers que estão dispostos a publicitá-los. Neste caso, o spammer e esta terceira parte ganham uma comissão paga pelo vendedor.
Este particular esquema de negócios é muito apreciado pelos negociantes de Viagra, de réplicas de relógios suíços e de software barato. Além disso, os programas associados costumam também incluir distribuidores de pornografia e de jogos de “azar” on-line.
A percentagem dos esquemas de associação para distribuição de spam no sector russo da Internet é muito variável, mas não costuma descer abaixo de 30-60% do total de spam.
A relação fornecedor de serviço – cliente é o método mais simples. O fornecedor de serviço é o spammer que oferece seus serviços. O cliente é a pessoa ou empresa que recorre a estes serviços para anunciar os seus produtos. No sector russo da Internet este esquema é tão frequente como o de associação.
O presente artigo começou com um ousado cabeçalho revelando que o spam é um indicador do estado da economia mundial. Ao aprofundar esta afirmação, podemos afirmar que a análise do spam permite acompanhar, de perto, o desenvolvimento da situação económica mundial. Evidentemente sem implicar aprofundada análise económica, mas salientando as tendências gerais dos vaivéns económicos. Basta saber para onde olhar.
Os sintomas da crise tornaram-se evidentes no spam distribuído como oferta de fornecimento de serviços-cliente, já que a maioria dos clientes eram pequenas e médias empresas, o sector mais afectado pela crise. Abaixo apresentamos um gráfico que ilustra as mudanças no volume de spam solicitado.
Volume de spam ordenado
A primeira redução ocorreu em Agosto de 2008, comummente considerado como o mês em que começou a crise económica na Rússia. Entre Agosto e Outubro, a quantidade de solicitações de spam teve uma leve subida, mas recaiu sem voltar a alcançar os níveis anteriores à crise. A segunda queda considerável, quando a crise “bateu no fundo”, foi na primavera de 2009. Estas “contracções” ocorreram por dois motivos: os clientes dos spammers não tinham suficiente dinheiro para pagar a sua publicidade e muitas pequenas e médias empresas que recorriam ao spam como ferramenta primária de propaganda não lograram sobreviver à grave situação económica.
Apenas um sector do spam conseguiu enfrentar a crise: o imobiliário.
Volume de spam com ofertas imobiliárias
O volume deste tipo de spam no sector russo da Internet costuma ser insignificante porquanto a maioria das agências imobiliárias é constituída por grandes companhias que não recorrem aos serviços dos spammers. No entanto, durante este período, as pequenas empresas alugaram escritórios, o que aumentou a actividade propagandística durante a crise. O que parece bastante lógico. Muitas empresas falidas tiveram de abandonar os seus escritórios. As organizações que conseguiram sobreviver começaram a procurar instalações mais baratas Esta situação obrigou os empresários a reduzir os preços e a lançar campanhas publicitárias, incluindo de spam. Este sector teve o primeiro rebato em Outubro de 2008 e alcançou o pico na primavera de 2009.
Já mencionámos que o spam envolve duas partes: o fornecedor do serviço e o cliente. Apesar de os spammers representarem a economia clandestina, as suas “empresas” são, habitualmente, pequenas e médias, o que significa que também foram afectadas pela crise. A falta de clientes levou os spammers a publicitar os seus próprios serviços. De facto, apesar de este tipo de spam não ser novo nunca foi tão agressivo como durante a crise. Além disso, na tentativa de obter novos negócios, os spammers enviaram mensagens dizendo aos seus potenciais clientes que a propaganda por meio do “correio em massa” era perfeita para as pequenas empresas e que a sua actividade era completamente legítima.
Proporção de spam com propaganda de serviços de [spammers]
Como pode ver no gráfico, os spammers começaram a registar a queda dos seus negócios em Novembro de 2008. Posteriormente, em Janeiro de 2009, a percentagem deste tipo de spam começou a aumentar, alcançando o seu nível máximo em Março de 2009.
O esquema de “associação” também registou progressos. Este esquema desenvolveu-se sem considerar se o spammer tinha ou não clientes. A participação neste esquema prometia, aos spammers, ganhos efectivos. Para o spammer, a ideia do esquema de associação é excelente, já que lhe garante uma recompensa por cada cliente que responda ao aviso. É por esta razão que quando os spammers registam uma queda no número de clientes, enveredam pelos programas associados com a expectativa de cobrir os custos mensais. Como se observa no gráfico seguinte, existe uma correlação inversa entre a quantidade de spam solicitado e a quantidade de spam distribuído, o que resulta no aumento dos ganhos graças à participação nos programas de associação.
Correlação entre a quantidade de spam solicitado e os “programas associados” de spam
Surge então a questão: o que leva os spammers a deixar de lado os seus clientes individuais e a envolverem-se nos esquemas de associação? A resposta é muito simples. A análise do spam no sector russo da Internet mostra que a maioria dos utilizadores russos não costuma comprar artigos publicitados através de programas associados. É por isso que os spammers russos preferem tratar directamente com clientes reais que pagam dinheiro real em vez de esperar que o milionésimo destinatário de spam compre Viagra.
Em Junho de 2009, a situação da indústria de spam teve uma melhoria; no entanto, demasiado curta para poder ser identificada como inclinação sólida. Em Agosto esta tendência multiplicou-se. Os clientes dos spammers começaram a voltar e a quantidade de spam solicitado por clientes individuais registou rápido crescimento. Em Setembro constatou-se que os resultados superavam a média em 50%, ao mesmo tempo que a quantidade de programas associados começou a decair.
A quantidade de spam que publicitava os próprios serviços dos spammers também diminuiu porque já não ser necessária.
A percentagem do spam imobiliário regressou aos níveis anteriores à crise, o que constituiu um bom sinal de que a economia começava a recuperar, uma vez que os proprietários de imóveis já não necessitavam de recorrer ao spam como ferramenta de propaganda para encontrar interessados.
Spam por categorias no segundo semestre de 2009
Para concluir, a notável estabilização da indústria de spam é um indício da estabilização geral das pequenas e médias empresas na Rússia. Isto significa que os spammers têm, novamente, clientes dispostos a pagar pelos seus serviços, enquanto a reaparição do spam imobiliário sugere que as pequenas e médias empresas, as mais vulneráveis durante a crise económica, estão a recuperar a passo firme.
{mosgoogle}
Nos dias que correm, e por mais incómodo que seja, o spam tornou-se parte integrante da nossa vida quotidiana, e tal como muitas outras coisas, reflecte o que acontece na economia mundial. Em princípio, não é necessário abrir a pasta “a receber” do correio, e aí encontrar numerosas mensagens não desejadas, para confirmar a certeza desta tese. No entanto, se analisarmos o contexto geral, resulta evidente que os temas e as tendências de desenvolvimento do spam mantêm estreita relação com o panorama financeiro mundial.