Em 2014 e 2015, a Kaspersky Lab notou um aumento de 9% na quantidade de páginas de phishing que roubaram dados financeiros (detalhes de cartões de crédito) durante o 4º trimestre (que inclui o período de férias) em comparação com a média para o ano. Aliás, o resultado de ataques de phishing financeiro em todo o ano de 2014 foi de 28,73%, enquanto o resultado do último trimestre foi de 38,49%. Já em 2015, 34,33% de todos os ataques de phishing são de origem financeira, enquanto no 4º trimestre esse tipo de ataque foi de cerca de 43,38%.
A época é alta para as vendas (estima-se que, no mundo inteiro, se registem cinco mil milhões de transações na época natalícia – cinco vezes mais que no ano passado) e é, obviamente, também uma época alta para os criminosos. Os vendedores oferecem uma grande quantidade de produtos a que é difícil resistir e as pessoas planeiam gastar dinheiro em presentes para si, para os amigos e familiares. Ou seja, enquanto os clientes online fazem planos para os saldos, os vendedores preparam as lojas virtuais para um grande número de visitantes; os líderes das infraestruturas financeiras – bancos e sistemas de pagamentos – antecipam um enorme aumento do volume e valor das transações; e os hackers também se estão a preparar. Pelo menos, foi isto que aconteceu nos anos anteriores.
As férias influenciam o tipo de alvo financeiro que os criminosos procuram. Em ambos os anos (2014 e 2015), os investigadores da Kaspersky Lab testemunharam um aumento significativo (alguns pontos percentuais) em ataques de phishing contra sistemas de pagamento e lojas online. Os ataques contra bancos também aumentaram, mas numa percentagem inferior.

Quando os criminosos tentam roubar dados de pagamento utilizam estratégias diferentes: podem criar uma página de pagamentos falsa de um sistema de pagamento famoso, copiar sites online de vendedores legítimos ou, ainda, criar lojas 100% falsas com ofertas incrivelmente atrativas.
E claro, os criminosos aproveitam-se do tema da Black Friday. Nas suas investigações, no passado mês de outubro, os especialistas da Kaspersky Lab localizaram uma loja online falsa da Black Friday que oferecia produtos a preços bastante atrativos. O que significa que semanas antes do verdadeiro início da época dos saldos, os criminosos começam a preparar terreno.

"Em 2014, conduzimos algumas investigações sobre como o cenário das ameaças de phishing durante e época de férias se comporta, e descobrimos que o número de ataques com alvos específicos – sistemas de pagamento e redes de vendas famosas – aumentou durante o período da Black Friday e da Ciber Monday. Em 2015, a situação repetiu-se e isso faz-nos pensar que em 2016 acontecerá novamente. Nesse sentido, incentivamos os utilizadores a serem o mais cautelosos possíveis quando realizarem compras online nesta época,” afirmou Alfonso Ramírez, Diretor Geral da Kaspersky Lab Iberia.
E que precauções deve tomar para evitar ser uma vítima destas fraudes online? Os peritos de segurança da Kaspersky Lab aconselham:
- Garantir que todos os seus dispositivos estão a utilizar um Internet Security Software.
- Assegurar a aplicação de updates de segurança no seu sistema operativo e aplicações assim que estiverem disponíveis.
- Utilizar apenas sites seguros. Procurar um URL que comece com ‘HTTPS://' – onde o S significa SEGURO. Procurar, também, por um cadeado fechado na barra do motor de busca – clicando aí será possível verificar os detalhes de segurança do site.
- Utilizar uma única palavra-passe para cada site – utilizar uma mistura de letras, números, caracteres especiais e garantir que no total estes são pelo menos 15. Aqui estão algumas dicas que podem ser úteis.
- Não clicar em links aleatórios que possam aparecer nos e-mails – é melhor colocar o que pretende procurar num URL, de modo a evitar o risco de ser apanhado num site de phishing. Se um produto parecer demasiado irresistível, procure-o diretamente no seu website, ao invés de clicar nesse link.
- Tentar utilizar sites que lhe são familiares ou dos quais já ouviu falar. Mas mesmo assim aconselhamos a ser cauteloso – é frequente os criminosos alterarem o nome dos seus sites de forma a estes terem uma aparência mais familiar.
- Fazer uma investigação atenta no caso de realizar uma compra a um novo fornecedor. Um bom teste é tentar contactá-los para o caso de alguma coisa correr mal – procurar um e-mail, um número de telemóvel, uma morada e as condições de devolução. O feedback histórico de um fornecedor é outro bom sinal da sua honestidade e confiabilidade.
- Ser extra cauteloso na utilização do seu dispositivo móvel para compras online. URLs curtos, utilizados frequentemente por serem phone-friendly, podem esconder o facto de pertencerem a um site pouco seguro. Se necessitar de realizar uma transação ali, desligue a ligação Wi-Fi à qual estiver conectado e utilize os dados móveis do seu telemóvel. Senão, espere até estar ligado a uma conexão segura.
- Evitar a utilização de redes Wi-Fi públicas para transações confidenciais como fazer compras online – as redes Wi-Fi públicas são locais onde os hackers costumam atuar, intercetarem, discretamente, as suas informações.
- Assegurar que as crianças não têm acesso às suas contas online, e garantir, também, que não conseguem aceder ao seu cartão de crédito e informações de conta.
- Fazer um backup regular dos seus dados para um CD, DVD, ou um USB externo para evitar a perda dos seus ficheiros pessoais no caso de ser vítima de um ciberataque.
- Verificar regularmente as suas contas para garantir que deteta, rapidamente, alguma atividade pouco comum ou fruto de uma fraude.
Leia mais sobre as ameaças a que, enquanto consumidor, está sujeito, sobretudo neste período de maior consumo: a Holiday Cyberthreats Review da Kaspersky Lab está disponível em Securelist.
A Polícia Judiciária anunciou ontem que o volume de queixas de burla informática por dia tem vindo a crescer bastante desde 2010 em Portugal, por influência de casos de compras online fraudulentas e de roubo de dados privados (phishing). Na primeira metade deste ano, por exemplo, o registo de queixas já atinge as 4834, quase o dobro do registado há 6 anos durante o ano inteiro.