Mohan começou por recordar a evolução do YouTube desde o mítico vídeo "Me at the Zoo", passando por momentos culturais marcantes, até se tornar no que chamou de “epicentro da cultura global”, onde tendências emergem e comunidades se organizam em torno de conteúdos. Hoje, os criadores que outrora produziam vídeos caseiros tornaram-se verdadeiras “startups de Hollywood”, criando empregos, inovando formatos e elevando a qualidade da produção — com exemplos que vão de vlogs a documentários exibidos em cinemas e no próprio YouTube.
A plataforma continua a expandir a sua presença nos ecrãs de televisão, com mais de mil milhões de horas visualizadas por dia neste formato. Entre os 100 canais mais vistos no mundo, muitos têm a TV como principal meio de visualização, e os criadores estão a adaptar-se com séries em HD, podcasts em vídeo e outros formatos otimizados para esta "nova televisão social". Só os podcasts em vídeo já registam mais de mil milhões de visualizações mensais.
Outro destaque foi a ascensão do fandom participativo, onde os fãs não apenas assistem, mas reagem, remixam e expandem os conteúdos originais com memes, paródias e reações — criando um ecossistema dinâmico de bilhões de visualizações adicionais. O YouTube Shorts lidera nesta vertente de criatividade rápida, com mais de 200 mil milhões de visualizações diárias.
Olhando para o futuro, o papel da Inteligência Artificial será determinante. Mohan anunciou a integração do Veo 3, o modelo de IA da Google capaz de gerar vídeos completos a partir de texto e áudio, no YouTube Shorts já neste verão. Para os próximos 20 anos, o CEO antecipa um cenário onde os criadores continuarão a ser os visionários do entretenimento e do marketing, com a IA a potenciar a criatividade humana de formas ainda por explorar.
Outro anúncio relevante foi a chegada da funcionalidade "open call", parte da plataforma YouTube BrandConnect, que promete transformar a forma como criadores e marcas colaboram. Através deste novo modelo, as marcas podem lançar briefings criativos públicos e os criadores — independentemente da sua dimensão — podem responder com vídeos originais para campanhas específicas. Após a submissão, as marcas revêm os conteúdos, aprovam e podem promovê-los diretamente como anúncios oficiais.
Este novo sistema permite uma abordagem escalável e colaborativa ao marketing de influência, aproveitando a autenticidade dos criadores e a agilidade do YouTube como motor de criatividade comercial. Por agora, a "open call" está disponível para um grupo restrito de anunciantes, mas a Google promete alargamento progressivo e novos detalhes nos próximos meses.