Uma investigação da NordVPN, realizada pela sua plataforma NordStellar, revela que os preços dos cartões de pagamento roubados nos mercados da dark web variaram fortemente até maio de 2025, com aumentos de até 444% em alguns países, embora a média global ronde os 8 dólares por cartão. Portugal segue em sentido contrário à tendência geral: o preço médio dos cartões portugueses caiu 16%, de 11,07 $ para 9,26 $. O estudo assinala que, apesar de flutuações, os dados continuam suficientemente baratos para atores criminosos, tornando o fenómeno acessível mesmo a iniciantes.

Os investigadores observam grandes diferenças regionais na oferta e procura: mais de 60% dos cartões listados pertenciam a titulares norte-americanos, seguidos por Singapura (c. 11%) e Espanha (c. 10%). No entanto, os preços por cartão não se correlacionam linearmente com o número de vítimas: os cartões do Japão chegam a custar cerca de 23 $, os dos EUA situam-se na ordem dos 11,51 $, enquanto a maioria dos cartões europeus ronda os 8 $. Na cauda da tabela estão países como República do Congo, Barbados e Geórgia, com listagens em torno de 1 $. Em Espanha o preço médio é de 11,68 $ e em França 11,07 $. Chipre figura entre os mais baratos, com 1,78 $.

O trabalho documenta ainda aumentos acentuados em vários mercados nos últimos dois anos — Nova Zelândia (+444%), Argentina (+368%) e Polónia (+221%) — ao passo que países como França registaram subidas mais moderadas (+18%). A variação de preços reflecte sobretudo a lógica da oferta e da procura, a robustez dos controlos antifraude dos emissores e a perceção do risco pelos compradores ilícitos; mercados com dados escassos ou sistemas antifraude mais rígidos valorizam mais os cartões. A estabilidade política e a rapidez da acção das autoridades também influenciam o prémio aplicado.

Os anúncios na dark web normalmente não se limitam ao número do cartão: incluem nomes, moradas, e-mails e outros metadados que facilitam a verificação e o uso fraudulento. O relatório descreve a cadeia industrial do “carding”: os “harvesters” obtêm os dados, os “validators” empregam bots para testar centenas ou milhares de cartões por hora e os “cash-outers” convertem os cartões validados em bens, códigos, criptomoedas ou numerário. A validação é o passo crítico — cartões com validade mais longa têm maior valor, e cerca de 87% das listagens observadas permanecem utilizáveis por mais de 12 meses.

Adrianus Warmenhoven, especialista da NordVPN citado no estudo, alerta que comprar um cartão roubado muitas vezes custa o equivalente a um bilhete de cinema, e que esses valores tornam o crime atrativo. Para os consumidores, Warmenhoven recomenda medidas práticas de proteção: rever extratos com regularidade e ativar alertas de transações, usar palavras-passe fortes e únicas, evitar armazenar credenciais e dados de pagamento no navegador, ativar autenticação multifatorial e recorrer a ferramentas de monitorização da dark web para detectar exposições associadas ao e-mail ou a números de cartão. Estas medidas simples ajudam a reduzir a janela de oportunidade para os criminosos.

A investigação da NordStellar analisou 50 705 registos de cartões roubados recolhidos em mercados da dark web em maio de 2025; os investigadores trabalharam apenas com metadados das listagens e não acederam a dados individuais de titulares. O estudo reforça que, apesar das variações de preço, o fenómeno é persistente e sofisticado: a acessibilidade dos dados roubados e a existência de uma cadeia de monetização eficiente tornam a ameaça real e estrutural. Para empresas e consumidores, a conclusão é clara — fortalecer práticas de prevenção, monitorização e resposta é imprescindível para mitigar perdas e reduzir a rentabilidade do crime organizado online.

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