A vontade de possuir um novo modelo representa apenas 11,4% das razões, enquanto a melhoria da câmara fotográfica pesa pouco mais de 3%, mostrando que a maioria dos utilizadores valoriza sobretudo a funcionalidade prática em detrimento do status tecnológico.
Apesar da decisão de comprar um novo smartphone, muitos portugueses não se desfazem dos antigos. Entre as desculpas mais comuns estão o receio de que o novo equipamento possa avariar (28,4%) e o facto de ainda existirem fotografias importantes não transferidas (28,3%). A falta de conhecimento sobre a forma correta de descartar um telemóvel (18,1%) e a eventual necessidade de aceder a contactos antigos (16,0%) também surgem como justificações frequentes.
Este hábito tem consequências ambientais significativas. Dados recentes do Eurostat mostram que, em 2022, Portugal recolheu apenas 27% do lixo eletrónico, muito abaixo da meta europeia dos 65%. Mesmo a média da União Europeia, de 40%, também está longe do objetivo, refletindo um problema de dimensão continental.
Para Kilian Kaminski, cofundador da refurbed, o estudo prova que os consumidores são pragmáticos, mas presos a um ciclo linear de "usar e descartar". O responsável defende que os dispositivos recondicionados oferecem uma alternativa sustentável e inteligente, garantindo a performance exigida pelos utilizadores e reduzindo o impacto ambiental.
A nível europeu, o potencial é enorme: existem 642,6 milhões de smartphones inativos que, se recondicionados, poderiam reduzir em 86% a utilização de recursos face à produção de novos equipamentos. Uma mudança de mentalidade neste sentido poderia marcar um passo importante para um consumo mais consciente e para um futuro mais sustentável.