As soluções antivírus são concebidas para acompanhar ambas as situações. É de recordar que a Web 2.0 não é um fenómeno técnico mas sim social, pelo que os sistemas antivírus não são afectados.
O mesmo ocorre com o novo malware que os utilizadores agora enfrentam. Basicamente, é o mesmo de há cinco anos. Ocorreram algumas alterações, tal como a profusão de packers, mas a funcionalidade básica do malware não evoluiu muito desde 2000.
Então qual é o problema com a Web 2.0? Prende-se principalmente com o facto de esta revolução social, da forma como a Internet é utilizada, ter facilitado imenso a criação de códigos maliciosos, e por isso surgem diariamente milhares de novas variantes. Houve já dias em que o PandaLabs teve que lidar com algo como 10 mil novos códigos maliciosos, o que corresponde a quase um a cada oito segundos. O problema consiste na quantidade de ameaças e não no modo como são distribuídas nem nas novas formas em que são aplicadas.
Há alguns anos assistimos à famosa “dotcom” bubble, mas que não estava relacionada com nenhum aumento de códigos maliciosos, nem sequer com o seu despoletar. Foi apenas um novo fenómeno da Internet, nada mais do que isso. Contudo, desta vez existem alguns profetas da desgraça.
As interpretações destas previsões apocalípticas deverão ser deixadas para sociólogos em vez de técnicos, pois, tal como já referimos, não existem quaisquer novas técnicas drásticas de propagação de malware. Talvez por detrás destes medos relacionados com a nova utilização dada à Web esteja um certo desconforto entre os poderosos. Talvez haja alguma renitência em permitir o acesso universal ao conhecimento e à informação.
Existiram alguns momentos chave na história da difusão do conhecimento pela humanidade: a invenção da imprensa escrita, da rádio, da televisão, da Internet… Cada uma destas invenções causou preocupação (se não mesmo medo) em determinados sectores da população. Muitas invenções foram inclusivamente denunciadas como ‘instrumentos do demónio’. No início deste século, era esperado que a Internet se tornasse na solução definitiva para oferecer acesso global a todo o conhecimento. Bem, pelo menos para qualquer pessoa com ligação à Internet, é claro.No entanto, o conhecimento na Internet rapidamente seguiu a tradição dos enciclopedistas. Foi disponibilizada uma grande quantidade de conhecimento, embora poucos tivessem acesso ao mesmo. O despotismo da Internet reinou até à revolta do povo (os utilizadores), neste caso através de blogs, sistemas wiki, entre outros.
Esta nova revolução é a Web 2.0, e não é mais perigosa do que aceder a informação, partilhá-la e utilizá-la. Mas da mesma forma que os utilizadores da Web 2.0 podem oferecer o seu grão de areia ao partilhar o seu conhecimento e as suas experiências, o mesmo acontece com os códigos maliciosos.
Tudo o que é necessário para assegurar a protecção contra isto é um sistema inteligente em cada computador, capaz de detectar actividades suspeitas, e enviá-las para um centro de processamento de dados, que por sua vez alimenta os sistemas inteligentes com o conhecimento necessário. Desta forma podem obter uma fantástica Web 2.0, em vez de um dilúvio de Malware 2.0.
* Autor : Rui Lopes (Director de Consultoria da Panda Software)
Publicidade :
{mosgoogle}
{mosgoogle}
Há já algum tempo têm circulado rumores acerca dos alegados perigos da Web 2.0. A nova forma como as pessoas utilizam a Internet e as ferramentas que tornam possível a colaboração entre utilizadores conduziu à percepção de que está a abrir portas para novos sistemas de infecção.