Há algum tempo, quando recebia uma chamada de um amigo com quem não falava havia tempo, era porque existia algum tipo de malware no seu computador. A situação era típica: uns CDs com um programa pirateado ou um e-mail aberto sem preocupação. No entanto, a pergunta que me fazem nos últimos tempos é bem distinta: “Porquê que não consigo alterar a página de início do Internet Explorer? Aparece-me sempre uma página estranha!”.

Esta situação recebe um nome bastante elucidativo – browser hijacking (sequestro do browser). Produz-se quando existe um programa no sistema (geralmente spyware ou adware) que vigia as alterações feitas à página de início do Internet Explorer. Na prática, isto supõe que quando o utilizador tenta voltar a utilizar a sua página favorita, o programa se encarrega de eliminar a alteração efectuada e restaurar os valores que fazem com que apareça a página indesejada.
O sistema é muito simples, embora possa chegar a causar um bom nível de desespero ao utilizador que seja vítima do problema. Por muito que tente, por muito que volte a alterar a página, o site estranho volta sempre a aparecer.

Ao contrário do que ocorre com um vírus ou worm, cujo objectivo último é realmente incoerente (simplesmente causar mal a computadores alheios), o objectivo deste sequestro do browser tem fins muito claros. Se cada vez que um número elevado de utilizadores abre o seu browser e é dirigido a uma determinada página, os anúncios que apareçam nesta são visualizados muitas vezes. Trata-se, sem dúvidas, de uma boa fonte de rendimentos para o proprietário dessa página Web.

 É certamente uma estratégia comercial deplorável, mas quando estamos a falar dos criadores deste tipo de programas, a palavra “ética” desaparece automaticamente do dicionário. Estou seguro de que o primeiro programador que fez um software para sequestrar um browser o fez com o desejo de investigar e sem quaisquer perspectivas de lucro. De certeza (“Ironia: figura de estilo que consiste em dar a entender o contrário do que se diz”).

Para poder libertar-se destes programas incómodos, existem duas vias muito claras. A primeira é a prevenção. Para que estas aplicações se instalem num computador é necessário que o utilizador tenha navegado por águas “turbulentas”, o que significa que tem de ter entrado em páginas que descarreguem este tipo de software. Em muitos casos é-nos mesmo pedida “permissão” para instalar estes programas, camuflando-os como um plug-in para poder visualizar conteúdos da página, ou para sequer lhe poder aceder. A todos os que viram o seu browser sequestrado: tentaram conseguir “gratuitamente” algum tipo de conteúdo que não se consegue normalmente de forma gratuita, como música pirateada, pornografia, etc.?

Prevenir também supõe ter o sistema operativo e o software que utilizamos actualizado, para evitar que uma falha de segurança seja aproveitada por algum programa para nos introduzir um vírus ou qualquer outro tipo de malware. Tenho de admitir que em muitos casos é entediante fazer actualizações, embora estas sejam normalmente muito importantes, pelo que valem sem dúvida o tempo e o esforço empregues no processo de as instalar.

Outra coisa a fazer é recorrer à ajuda de software, com um programa que analise o código que entra no sistema e nos alerte para a sua perigosidade. Basicamente, estou a falar de um antivírus. Os antivírus, como temos comentado inúmeras vezes, não apanham apenas vírus, detectando muitos tipos diferentes de malware, incluindo os que sequestram os browsers.

Em muitos casos, os “sequestradores” criam os seus programas com uma tal rapidez que não há tempo para os laboratórios das empresas de antivírus desenvolverem a correspondente vacina e rotina de desinfecção contra todos. Para evitar esse problema, já existem no mercado soluções preventivas, que não dependem de um ficheiro de assinaturas desenvolvido por uma empresa de antivírus.

Analisando unicamente o que é e o que está a fazer um determinado programa, estas tecnologias de última geração são capazes de detectar a alteração “às escondidas” da página de início e evitá-lo. Não é assim tão difícil e, além disso, estas tecnologias preventivas estão ao alcance de toda a gente.      

* Autor : Rui Lopes (Director de Consultoria da Panda Software)
 
Publicidade :
{mosgoogle}
Classifique este item
(0 votos)
Ler 4800 vezes
Top