Nesse contexto, surge com o devido relevo o Design Automóvel, uma área em que cada vez mais a tecnologia ocupa um lugar de destaque dentro do "nosso" carro, quer seja no funcionamento do mesmo, a um nível cada vez mais vital, quer seja sob o cognome de "Design Package" e que nos surge sob a forma de extras que se refletem num forte acréscimo ao valor final do automóvel. Em todo o caso, a tecnologia é cada vez mais uma forte aliada desta área, em que ambas respondem cada vez mais (e melhor) à nomenclatura de Design. Quem sonharia, há uns anos, que o mais comum dos automóveis de gama baixa teria computador de bordo integrado? Ou Bluetooth? Qual de nós seria suficientemente visionário para idealizar que uma chave, uma tão comum chave, para destrancar o nosso automóvel, seria substituída por um cartão dotado de assinatura digital? Quem diria que ao despercebido e obrigatório isqueiro da nossa viatura se poderiam ligar os mais variados artefactos, ou que os passageiros poderiam ver televisão enquanto viajavam, em pequenos ecrãs embutidos nos encostos de cabeça dos bancos ou no topo to tablier?
Ao longo dos anos, as tecnologias que tantas vezes são remetidas para especializações informáticas, seriam mais tarde adaptadas ou apropriadas pelo Design Automóvel, numa procura que se revela tanto de superficial como de confortável para o utilizador. Talvez o item mais icónico de toda esta evolução seja o GPS, imagem de marca de uma era em que o condutor deixou de se guiar pela sinalização e pelas casas e passou a ser guiado por uma voz desconcertante quanto baste e por um pequeno ecrã repleto de linhas e setas que retiram toda e qualquer atenção da estrada e, verdadeiramente, daquilo que é o ato de conduzir. Contudo, e quando anos antes milhares foram aqueles que utilizaram um pré GPS em jogos como Grand Theft Auto, ninguém pensaria que tal tecnologia, integrante de um mero "jogo de computador" pudesse realmente ser aplicada na vida real, e para o mais comum dos utilizadores. O que é certo é que hoje em dia esta tornou-se uma tecnologia quase obrigatória no método de navegação da maioria dos condutores, principalmente quando falamos em viagens longas ou a destinos desconhecidos. E esta revela-se precisamente a ocasião ideal para introduzir algumas das tecnologias que mais têm vindo a influenciar toda uma dinâmica e postura de condução nos automóveis de hoje em dia. Desde um "descansado" Cruise Control, a um cada vez mais recorrente sistema Start/Stop, e passando por toda uma parafernália de personalizações eletrónicas do nosso automóvel, desde o sistema de injeção de combustível à dureza da suspensão ou a um reconhecimento digital de velocidade ou combustível presente no depósito, os veículos dos dias de hoje assimilaram uma vasta quantidade de dados que só se julgavam possíveis aferir há uns anos em meros simuladores digitais de condução, ou quando eventualmente se exploravam todas as opções de jogo num qualquer Gran Turismo.
Contudo, ainda é cedo para saber se felizmente ou infelizmente, o automóvel depende cada vez mais destas novas tecnologias para simplesmente funcionar. São cada vez mais os componentes eletrónicos que ditam o ato de conduzir, e serão cada vez mais as informações digitais disponibilizadas ao utilizador durante a condução. Como resultado, se teremos condutores menos atentos ao trânsito, ou se condutores simultaneamente mais conscientes e atentos - quer ao interior, quer ao exterior do seu automóvel -, só o tempo nos dirá. Não obstante, facto é que são cada vez mais as ofertas e "dependências" tecnológicas no interior de cada veículo, com novidades que, a par de um habitual meio mais informático, não param de surgir a cada dia, a cada mês que passa. O automóvel permite cada vez mais uma maior conetividade ao utilizador e aos seus respetivos equipamentos, chegando a um público em constante alteração.
Cada vez mais jovens, ou pelo menos para um público mais jovem e/ou conhecedor das novas e emergentes tecnologias, o automóvel há muito que passou a simples barreira da utilização básica de condução que une através de um meio de transporte motorizado, o utilizador entre um ponto A e um ponto B. O automóvel tornou-se, em alguns casos, um exemplar de um gadget de larga dimensão, em que o conhecimento necessário para o operar na íntegra não andará longe daquele necessário para navegar no mais recente Tablet ou Smartphone. As possibilidades elevaram-se como nunca antes visto, desmultiplicando-se em painéis repletos de botões onde outrora habitava um autorrádio de seis postos predefinidos e pouco mais do que isso.
O próprio conceito de webcam, protagonizado pelos mais arcaicos computadores e elevados a sistemas interativos de jogo como o Move ou o Kinect, seriam adotados pelo Design automóvel para otimizar ao utilizador tarefas tão básicas e fulcrais como a de estacionar. Graças aos cada vez mais desenvolvidos sensores de estacionamento, hoje em dia encontramos automóveis que inclusivamente viram o volante por nós, encontrando a melhor trajetória para um tendenciosamente complicado estacionamento paralelo. Mas não só. Graças à adoção de sistemas como o Kinect em alguns automóveis, e mediante recentes desenvolvimentos levados a cabo pela Toyota, o utilizador poderá contar num futuro próximo com reconhecimento facial dentro de seu automóvel, ou ainda de comandos por voz e/ou gestos na dinâmica de condução, numa tentativa de melhorar a segurança dentro do habitáculo. E pensar que toda esta tecnologia não servia para mais do que andarmos aos pulos em frente à consola a tentar passar o nível de um qualquer jogo, na comodidade da nossa sala de estar.
Efetivamente, o capítulo da segurança será aquele que mais pode (e deve) lucrar com o advento das novidades tecnológicas. Encriptação de chaves / cartões de acesso ao automóvel, reconhecimento de condutor ou novos serviços por satélite que permitem às vítimas de carjacking desligar à distância e através do seu telemóvel o controlo furtivo sobre o seu automóvel, são apenas algumas das potencialidades das novas tecnologias associadas ao Design Automóvel. Resta saber até onde poderá ir a tecnologia, e até quão longe estará a indústria automóvel disposta a ir em busca das mais brilhantes e inovadoras comodidades para o condutor e respetivos passageiros.
Numa fase em que o Design Automóvel pouco ou nada parece querer evoluir na sua formalidade, com veículos cada vez mais parecidos entre si, e em que os faróis LED parecem ser, à imagem dos monitores nas tecnologias mais "caseiras", as grandes novidades de visualização do momento, resta esperar que pelo menos no seu interior as novidades surjam, e sempre em prol do utilizador e de um facilitado exercício de condução. Do mesmo modo que a direção assistida veio revolucionar a condução para aqueles que teriam de ingerir uma valente refeição antes de efetuar as mais variadas manobras, as mais variadas inovações tecnológicas dos dias de hoje poderão vir a evoluir e revolucionar todo o dinamismo de condução tal como o conhecemos. Esperemos sempre que para melhor.
