Lançado em 1990 por Robert K. Jung, o ARJ (sigla de Archived by Robert Jung) foi durante grande parte da década de 90 uma das ferramentas de compressão mais respeitadas e utilizadas no mundo MS-DOS. Com a capacidade de dividir ficheiros comprimidos em volumes, uma funcionalidade essencial quando os dados tinham de ser espalhados por vários disquetes, o ARJ rapidamente se tornou uma escolha de eleição para utilizadores, técnicos e empresas.

O ARJ não se limitava a comprimir ficheiros - oferecia opções avançadas como verificação de integridade, inclusão de comentários, encriptação com palavra-passe, e múltiplos níveis de compressão. A sua versatilidade e fiabilidade fizeram dele uma alternativa séria ao PKZIP, especialmente em ambientes onde a segurança e integridade dos dados eram críticas.

Apesar da sua interface ser puramente baseada em linha de comandos, o ARJ destacou-se pela sua velocidade e flexibilidade. O utilizador podia escolher entre nove níveis de compressão (de 0 a 9), permitindo ajustar o equilíbrio entre velocidade e taxa de compressão.
Em média, o ARJ conseguia taxas de compressão entre 30% a 70%, dependendo do tipo de ficheiros - sendo mais eficaz em textos e documentos, e menos em ficheiros já comprimidos como imagens JPEG ou vídeos.

Exemplos de Comandos ARJ
Comprimir um ficheiro com nível máximo de compressão (9):

arj a -m9 arquivo.arj documento.txt
O -m9 define o nível de compressão (mais lento, mas mais eficaz).

Criar um arquivo dividido em volumes de 1,44 MB (para disquetes):

arj a -v1440 arquivo.arj pasta_com_ficheiros\

O -v1440 cria volumes de 1.440 KB, ideais para dividir entre disquetes.

Extrair ficheiros de um arquivo ARJ:

arj x arquivo.arj

Listar o conteúdo de um arquivo ARJ:

arj l arquivo.arj

Criar arquivo com palavra-passe:

arj a -gSECRET arquivo.arj ficheiro.doc

Estas opções tornavam o ARJ extremamente poderoso para quem dominava a sua sintaxe - e obrigatório em qualquer disquete de ferramentas de um técnico da velha guarda.

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Com o passar dos anos e a chegada de novos formatos como o ZIP, RAR e, mais tarde, o 7z, o ARJ foi gradualmente perdendo relevância. Ainda assim, o seu legado permanece, sendo uma das ferramentas que moldou o modo como os ficheiros eram armazenados, distribuídos e protegidos no início da era digital. Curiosamente, o ARJ ainda pode ser encontrado em alguns sistemas antigos e, ocasionalmente, é usado para aceder a arquivos históricos.

Nos dias de hoje, o ARJ pode parecer uma peça de museu digital, mas para quem viveu a era das BBS, dos disquetes de 1,44 MB e das noites passadas a comprimir jogos e backups, este pequeno programa representa uma memória vívida de engenho, simplicidade e eficiência.

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