A Kaspersky Lab antecipa o panorama de ameaças nas TIs para o período 2011-2020. Esta previsão tem como fundamento a análise dos principais problemas e mudanças registadas, ao longo da última década, na esfera de segurança das TIs, bem como das tendências emergentes no desenvolvimento de computadores pessoais, telefones móveis e sistemas operativos.

Segundo analistas da empresa, as tendências mais significativas da última década (2001-2010) foram:
• Mobilidade e miniaturização. Dispositivos progressivamente menores podem agora aceder à Internet a partir de, praticamente, qualquer ponto do globo, tornando as redes sem fios no método mais popular de ligação à Web;
• A transformação da escrita de vírus em crime cibernético;
• A manutenção da posição de liderança do Windows como fornecedor de sistemas operativos para computadores pessoais;
• A concorrência intensa no mercado de plataformas móveis sem um líder claro;
• Redes Sociais e motores de busca - os principais serviços da Internet de hoje;
• Comércio na Internet - actualmente este sector gera receitas que ultrapassam os orçamentos anuais de alguns países.

A característica definidora da próxima década será o fim do domínio absoluto do Windows nos sistemas operativos de utilizador. Apesar de o conceito da Microsoft ir permanecer como a principal plataforma empresarial, os utilizadores irão aceder, diariamente, a uma variedade cada vez maior de sistemas operativos alternativos. De realçar que, mesmo hoje, o número de dispositivos que acedem à Internet através de plataformas Windows e não-Windows ser praticamente igual, com estes últimos, ainda que ocasionalmente, a superar os seus concorrentes da Microsoft.

O número crescente de novos sistemas operativos afectará o processo de criação de ameaças: os ciber-criminosos não serão capazes de criar códigos maliciosos para um largo número de plataformas. O que lhes deixa duas opções: “visar” múltiplos sistemas operativos e “controlar”inúmeros dispositivos individuais, ou especializar-se no ataque a empresas baseadas em Windows. A segunda opção será, provavelmente, a mais escolhida pela larga maioria - em 2020, “visar” utilizadores individuais irá ser muito mais complexo: a tendência emergente de efectuar pagamentos por via electrónica e usara banca on-line vai continuar, mas a identificação biométrica do utilizador e os sistemas de protecção de pagamento passarão a ser a regra.
As mudanças em perspectiva nos sistemas operativos e nas suas especificações vão afectar as técnicas de “escrita” à medida que os novos sistemas evoluem. Muitos ciber-criminosos que habitualmente privilegiavam atacar dispositivos Windows, terão de adquirir novas competências e explorar os sistemas operativos de última geração. Para manter o seu "lugar ao sol", os actuais ciber-criminosos terão de recorrer à ajuda de membros da nova geração, aptos a escrever o “código malicioso” para as novas plataformas. No entanto, este estado de coisas não irá prevalecer para sempre e é bem possível virmos a assistir a "guerras territoriais” entre hackers e grupos de hackers.

O Cibercrime em 2020 irá, com quase toda a certeza, dividir-se em dois grupos. Um deles irá especializar-se no ataque a empresas, por vezes de “encomenda”. Espionagem comercial, roubo de dados e ataques para manchar a reputação de empresas irão ter grande procura no mercado negro. Hackers e especialistas das empresas de Tis irão enfrentar-se num campo de batalha virtual. Agências governamentais de combate ao cibercrime irão, provavelmente, envolver-se também no processo, tendo que lidar, sobretudo, com as plataformas Windows, além das versões mais recentes dos tradicionais sistemas *nix.

O segundo grupo de ciber-criminosos irá especializar-se nas coisas que influenciam a nossa vida quotidiana, como o sistema de transportes e outros serviços. “Piratear” esses sistemas e usá-los para roubar, fazendo deles livre uso, bem como a remoção e alteração de dados pessoais sobre a actividade dos clientes, serão o principal foco de atenção da nova geração de hackers, que irá ganhar a vida desta maneira.

A tendência, apresentada pela Internet, de se tornar, simultaneamente, tanto num recurso generalizado de comunicação, entretenimento e informação, como numa ferramenta especialmente desenhada para o comércio na internet e pagamentos online, etc., irá continuar. A “base de utilizadores”on-line "vai expandir-se de modo a incluir muitos dispositivos móveis e inteligentes, aptos a usar a Web para partilhar ou transferir informação sem necessidade de intervenção humana.

As Botnets, actualmente uma das ameaças mais poderosas das TIs, irão evoluir de forma significativa, incorporando cada vez mais e mais dispositivos móveis e habilitados para Internet, e os computadores zombies, tal como os conhecemos, irão tornar-se em algo do passado.

As ferramentas e tecnologias utilizadas no campo das comunicações irão conhecer profundas mudanças. Esta evolução vai registar um grande aumento nas taxas de transferência de dados e melhorias que irão tornar a experiência de comunicação virtual muito semelhante à da vida real: em 2020, a comunicação via Internet com a ajuda de um teclado será material de filmes antigos, o que significa que os spammers terão de procurar novas formas de entregar o seu correio indesejado aos destinatários em todo o globo. O primeiro passo que os spammers irão dar é a mudança de alvo dos seus ataques de desktops para dispositivos móveis. O volume de spam móvel irá crescer exponencialmente, enquanto o custo das comunicações baseadas na Internet vai diminuir, devido ao intenso desenvolvimento de sistemas de comunicação digitais. Por este motivo, os utilizadores serão menos propensos a preocupar-se com a questão da publicidade indesejada.

O velho adágio "Conhecimento é poder " será mais relevante do que nunca. A luta pela forma de obter, gerir, armazenar e utilizar informação, sobre tudo e todos, vai definir a natureza das ameaças para a próxima década. Em consequência, o problema da protecção da privacidade irá ser um dos temas-chave da década.
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